Fábricas
Pequenas fábricas dentro da cidade, com grande actividade e muita utilidade.Desde os anos 1970 - época em que se atingiu o pico da industria em Lisboa e arredores - que fábricas e oficinas têm encerrado, só ficando algumas, poucas, porque pequenas, não poluentes, nem ruidosas, se inserem discretamente na cidade. Vale a pena conhecê-las.

Fábrica de Fitas e Passamanarias de Francisco Soares da Silva S. A.

Tvª da Fábrica dos Pentes 4 - A, ao Jardim das Amoreiras

Tel. 21 388 06 42, www.fss.com.pt, fss@net.novis.pt

«O objectivo é vender ao cliente aquilo que ele precisa». É assim que o Sr. Artur Ricardo, chefe de vendas e de produção, há 8 anos a trabalhar na empresa e a vestir a camisola com entusiasmo apresenta esta empresa fundada em 1840, ao lado da Fábrica de tecidos de seda (de que se terá destacado e especializado), pertencendo na altura cada fábrica a sua família, famílias conhecidas entre si e vizinhas. Hoje continua a fazer fitas para medalhas, condecorações, ordens honorificas, tendo tido o fornecimento para as condecorações da Grande Guerra e ainda hoje tem o exclusivo para ministérios, fitas de embaixador, forças armadas, etc. «Os clientes são as retrosarias tradicionais, as gráficas para a publicidade, que procuram fitas de cetim ou de acetato para gravar, para eventos, espectáculos, festivais.


A industria de calçado também é cliente para a linha de coser, substituta da antiga linha de sapateiro, importada e fabricada segundo as especificações exigidas pelo Centro Técnico da Industria do Calçado, com a marca FSS». O 1º dono e fundador foi Francisco Soares da Silva nascido em 1810 e que fundou a fábrica em 1840. Recorde-se que este era o sitio industrial criado pelo marquês de Pombal, na 2ª metade do século XVIII, para fabrico de sedas - donde o jardim das amoreiras - de pentes e outros, zona industrial (entenda-se, de manufactura)e residencial dos respetivos operários e chefias. No escritório acham-se 2 grandes fotografias do casal de proprietários da 1ª metade do secº XX e uma foto destes com todo o pessoal, umas vinte pessoas. Seguiu-se na administração o Sr.Carlos António Muga Manteigas, hoje com c.90 anos, que foi desde os anos 1950, reestruturou-a e constituiu-a em sociedade anónima. Fornecedora que era e é duns 2 mil clientes, fez com cerca de 500 dentre eles uma central de compras. Reequipou a FSS em maquinaria - a maior parte da qual data dos anos 1950-60. Fornece a industria de confecção e fabrico de vestuário bem como estilistas, decoradores e profissionais da moda.

D.Olivia, a empregada mais antiga da FSS

Outro segmento de produção e venda são os galões, cordões, fitas, elásticos, as fitas religiosas, académicas, de escutismo, em seda de viscose, cetim, acetato, algodão. Mas é nas fitas honorificas ou condecorativas, com o moiré - um efeito ondulado nas fitas - feita pela passagem da fita numa prensa manual própria, perdendo a regularidade retilínea da trama, substituído pelo ondulado ao longo de toda a fita, o que lhe confere um reflexo acetinado, efeito este chamado de moiré».

Atualmente são 12 empregados entre fabrico, administrativos e vendas. O debuxo - o desenho que vai orientar o cadeado do tear mecânico, é fundamental, desenho em computador, depois transposto para o alinhamento dos fios a entrar no tear. «Vendemos para Angola, Cabo-Verde, França, Grã Bretanha, EUA. Em Portugal temos 40% de cota de mercado e sobretudo a melhor qualidade. Até aos anos 1940 estávamos no outro lado da rua, num edifício em que os operários moravam em baixo e os teares eram em cima, famílias inteiras. Depois mudamos para aqui. Neste trabalho é preciso ter uma capacidade de aprendizagem, uma sensibilidade de dedos, uma finesse de ourives, fio a fio, preparar a máquina, alimentar, pôr teias. Não é preciso ter robustez física mas agilidade e toque, inteligência q.b.. O fabrico chinês chegou nos anos 2000 mas não faz concorrência pois a qualidade não tem nada a ver com a nossa. E cada vez há mais artigo vintage e produto nacional, pois voltou a estar na moda».

E assim a Francisco Soares da Silva continua na crista da onda avançando para o seu bi-centenário!

G.P. 2017

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Luguicap - J.M. Rolhas

Cçª D.Gastão 13 - Xabregas,  Lisboa 

Tel.  21 868 18 40  

luguicap@luguicap.com     luguicap@gmail.com             www.luguicap.com

LUGUICAP é a actual denominação da firma familiar, já em 3ª geração, fundada em 1956 por João do Rosário Mendes, produtor de cortiça e fabricante de rolhas, donde a designação na fachada - J.M. Rolhas .

A J.M. Rolhas - Luguicap trabalhou exclusivamente com cortiça até 2000, altura em que o fabrico em plástico se veio a tornar dominante, com polipropileno, polietileno e poliestireno - combinados com cortiça, esta fornecida já aparada nas medidas pretendidas e aqui aplicada à tampa plástica por pressão.

«Somos dos poucos fabricantes de rolhas, hoje as máquinas automáticas exigem e garantem qualidade padronizada da cortiça o que foi uma melhoria significativa em relação desde há anos». Fabricam desde tampas de garrafa às de garrafão, a tampas com doseador de espirituosos. Com modernas máquinas automáticas, algumas sendo protótipos, isto é, fabricadas especialmente e em exclusivo, fazem gravação por serigrafia rotativa nas tampas em plástico, para diversíssimas marcas do mercado.

São a ultima fábrica nesta zona de Lisboa, discreta mas eficiente, duma numerosa industria de rolhas, cortiça, vinhos e engarrafamento que existiu de Xabregas ao Poço de Bispo até ao século XX. Longa vida a esta utilíssima actividade: rolhar as garrafas dos vinhos, espirituosos e licores que tanto apreciamos!

G.P.  2017