Torrefacções e Casas de Café
O café à portuguesa é um equilíbrio entre a arábica e a robusta. A robusta dá mais corpo, é mais escura na cor. A arábica dá o aroma e o paladar. É pois uma questão de sabor e de saber, a cada lote o seu paladar.

As torrefacções de café




A Brasileira Torrefacção

Av. Infante D.Henrique 334, Armazem 3, Lisboa 

Tel. 21 355 64 38/ 21 355 80 23     abrasileira@netcabo.pt          

A marca Brasileira é indissociável do emblemático café do Chiado e das múltiplas sucursais que
existiram e existem em todo o país e que em tempos foram do mesmo proprietário.

Mas a raiz está no café da mesma marca que em 4 lotes diferentes - Chiado, Especial, Fundação e Chávena - é torrado, lotado e embalado no armazém dos Olivais, depois de ter estado de 1995 até 2015 na Rua do Salitre, dos Cafés Leão, antigos fornecedores da Casa Real.

A Brasileira é também a montra e o principal escoamento, duma produção caféeira própria, alem dos 3 vendedores a fazer revenda no Centro e Norte a estabelecimentos de cafetaria.


Plantadores, primeiro com Adriano Telles e depois com Antonio e Jaime Silva, irmãos cultivadores de café em Angola. Os Telles e os Silva - conterrâneos de Alvarenga, concelho de Arouca, mantiveram uma relação comercial em que Adriano Telles, um homem empreendedor e visionário, não só lançou muitas formas de comercializar e distribuir café, como também abriu uma série de estabelecimentos com esta marca em todo o país, incluso em Sevilha e no Rossio,
que os herdeiros não continuaram e venderam, não havendo hoje ligação a essas brasileiras nem fornecimentos de café da marca.

Fundado por Adriano Telles em 1903 no Porto, A Brasileira estabeleceu-se em 1905 no
Chiado, onde continua ininterruptamente desde então. Nos anos 1960 vendeu a António Silva que por sua vez vendeu ao irmão Jaime Silva. Este foi progressivamente comprando a firma aos outros sócios até ficar proprietário unico
Jaime Silva veio de Angola em 1975, onde desde 1961 até então cultivara café robusta no Uíge, Norte de Angola, que combinava com a criação de
gado. Abriu a plantação, desbravando mato, criou de raiz a plantação com pés de cafézeiros, intervalados de forma a permitir o trabalho com tractor. O Sr. Jaime Silva filho, acompanhou o trabalho de cultivo, colheita, descasque e expedição. «O meu pai fez a plantação à semelhança das do Brasil onde foi visitar para aprender, o mais moderna possível, mecanizada. Produzia mil
toneladas/ ano com 100 trabalhadores permanentes, mais outros sazonais para os picos de mão d'obra. O meu tio comprou a Brasileira em 1963/4 quando veio de Angola, à qual já fornecia o seu café, donde a ligação inicial. Depois passou entre irmãos, do Antonio Rodrigo para Jaime Silva, em 1975.

«Experimentamos a produção de arábicas mas ganhou ferrugem (N.E. - uma doença do
cafezeiro), nunca mais! O meu pai fez essa plantação e a produção com o apoio
técnico do Instituto do Café que existia na altura em Portugal e nas colónias.
Mantenho o café sem aromas nem liofilizados, nem químicos, sou contra. Também não uso cápsulas»

«Hoje tenho um filho, uma filha e um sobrinho a acompanharem o negócio». Continuação pois assegurada para a 3ª geração.

O simbolo da Brasileira - um velho, sorridente e desdentado, vestido de verde, de chávena
na mão, aparentemente de finais secº XIX, «é segundo uma cliente alemã, a cópia
dum anuncio a uma cerveja em que este mesmo homem segura uma caneca de cerveja,
oportunamente substituída por uma chávena de café, ideia do fundador da Brasileira!». Um caso raro de marca pessoal e antiquíssima, mas que de facto é a imagem de marca.


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Flor da Selva

Tvª do Pasteleiro 32, Lisboa

Tel. 21 396 53 84 / 71 66 geral@flordaselva.pt www.flordaselva.pt

É a torrefacção mais improvável que se pode imaginar, pois ninguém prevê que num pequeno espaço possa dali sair tão bom café! Às 2ª fª e 4ª fª de manhã o cheiro ao café ou cevada a serem torrados é agradabilíssimo! Invade as redondezas de fumo branco: temos café!!

É a lenha, uma máquina que o sr. Jorge Monteiro persistiu em manter e a não mudar para o gás como foi insistentemente convidado a fazer pela modernidade e o ser mais prático, hoje mais comum.

«Mas decidi que não, este processo é que é a nossa mais valia, a nossa diferença e a verdade do café torrado a lenha, dá-lhe um sabor mais genuíno. Por outro lado não acrescentamos estabilizadores nem aromatizantes: as grandes marcas poêm conservantes
ou aditivos autorizados, para o café se manter por mais tempo, óleo, melaço, açúcar ou dextrose. O café verde, ainda não torrado, não varia em condições normais de armazenamento com a humidade e temperatura controladas. Quando se torra o café, ele perde a humidade, mas
depois pelos poros vai voltar a absorver a humidade do ar, pelo que deve ser
consumido o mais depressa possível. Ora muitas marcas emulsionam o café torrado
com uma calda ou um óleo, para tapar os poros e assim o conservar mais tempo
sem voltar a absorver a humidade do ar. Com o nosso café não utilizamos essa
prática, tendo o café um curto prazo de duração pelo que aconselhamos os nossos
clientes a fazer aquisições semanais de café recém torrado, às 2ª e às 4ª fª de manhã, das 8h às 10h.

É um torrador Probat de 1972, alemão, que segundo informação do fabricante é uma das 2 únicas
máquinas de torrar café a lenha ainda a funcionarem na Europa - esta e uma
outra na Suiça, do mesmo modelo.

«Após uma reportagem do canal alemão ART sobre Lisboa no qual está inserido um apontamento sobre a nossa casa passámos a vender pela Amazon e pela Internet, sobretudo para a Alemanha». A aposta do Sr. Jorge Monteiro está pois a ser ganha e a ser reconhecida.

A torra do café a lenha

De cada fornada são torradas duas sacas de 60Kg cada, a 200º C durante 20 a 30 minutos, torra lenta, sem contacto com a chama, que vão perder cerca de 20% do peso, resultando 97kg de café torrado.

O café em verde é vertido num funil onde é aspirado por um tubo que o leva para o carregador, o funil no alto da máquina de torrar. Daí cai para um cilindro giratório inserido numa câmara forrada a tijolo refractário, onde o ar aquecido por uma fornalha em baixo, onde arde a lenha.
Pela portinhola da fornalha vai sendo metida a lenha. Do cilindro é aberta uma "boca" para deixar cair o café para um recipiente circular com braços giratórios - c. 2 m de diâmetro, que é onde arrefecem os grãos, durante uns 5 a 10 minutos depois de saírem do cilindro. Daí passa para um despedrador, um silo vertical de 2,5 m alto, onde são extraídas as pedras, pela aspiração dos grãos, mais leves e os ferrosos, por um imã colocado à entrada. Por causa das pedras mais leves, é ainda necessária por vezes uma escolha manual.

Hoje são 5 operários, mais o sr. Monteiro e o filho a trabalharem nesta torrefacção.

O armazém é uma pequena sala a 21,4º temperatura e 68% de humidade, escura e fechada, onde está o café em sacos de diversas origens: Timor, Angola, Vietname, Uganda, Indonésia, India, Angola,etc e em caixas plásticas azuis o café já torrado, que exala um cheiroagradabilíssimo. Os cafés são lotados, embalados e expedidos noutra sala, quedá para a porta. Os lotes são: Orquídea (Strong) à base de robusta e rico em cafeína, Magnólia (Medium) o lote tradicional ou "da casa", Estrelícia (Soft) suave e aromático e o Azálea (Extra Soft) à base de arábicas com teor médio de cafeína e muito aromático. O café da Flor da Selva é muito saboroso e extremamente leve ao beber, forte e deixa um bom sabor na boca, um café verdadeiro.

Delmar Santos, Sr.Julio à dirª, da Flor da Selva
Delmar Santos, Sr.Julio à dirª, da Flor da Selva

Fundada em 1950 por Manuel Alves Monteiro de Paderne, Melgaço, pai dos actuais donos, um dos quais, Sr. Jorge Monteiro, sócio-gerente: «Meu pai era o mais velho, de entre 8 irmãos e irmãs, uma família ligada ao café. Veio com 14 anos para marçano de mercearia em Lisboa, estudou no Ateneu Comercial. Para ele, miúdo, o café era a fonte de riqueza pois na raia o
contrabando de café para Espanha era muito comum e rentável».

A origem do nome Flor da Selva é de 1950, uma Africana estilizada e elegante, criada pelo
arquitecto e familiar Nuno San Payo. N
os anos 1950-60, com os empregados melhores e familiares, fundaram-se 7 casas em Lisboa e arredores em que a Flor da Selva foi fornecedora de cafés, chás e afins, das quais algumas ainda existem.


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A Negrita

Rua Maria Andrade nº 18, Lisboa       Tel. 210 482 576            htt:p //cafesnegrita.pt


Fundada em 1924 pelo pai do actual proprietário, Sr. Carlos Pina e mais sócios, esteve sempre aqui, no que eram as cocheiras dum palacete vizinho que ainda existe e que pertencia a um dos sócios da altura.

Foi e é torrefacção de café, cevada, chicória, amendoim e moagem de especiarias além de armazenamento de mercearias que a partir dos anos 70, diminui e começou a importar café.

No sitio na net da empresa pode ler-se: «Com o capital detido na sua totalidade por familiares de um fundador, passa a sociedade anónima e realizamse as primeiras grandes alterações do sistema produtivo. A lenha deu lugar ao gás natural, as velhas máquinas a modernos torradores, com torras controladas por computador. Para limpeza dos efluentes gasosos, foi instalado um queimador de fumos. Segue-se o sistema de armazenamento de cafés torrados em
silos, com gestão e execução de blends computorizada. Em 2008, com a entrada em funcionamento de um novo software na área da produção e ligação ao sistema de gestão comercial/facturação, foram garantidos todos os requisitos para o cumprimento da rastreabilidade». Além das marcas próprias Negrita e Carioca, fabrica e empacota lotes para outras marcas.
Os lotes são: Chávena, Rubi, Negrita, Marfim, Ébano, Descafeinado (a menos de 0,09%) em caixa ou em doses individuais. Estes são preparados dum modo computarizado, automático a partir de 12 silos, cada um contendo uma variedade de café - Honduras, Costa Rica, Brasil, de robustas, arábicas etc. - que conforme o lote pedido, verte as partes respectivas de cada silo. Depois segue para o empacotamento em que 2 operadores trabalham. Mas antes cada variedade de café puro passou pelo torrador, que é um forno, que depois despeja para um tabuleiro circular, onde o café arrefece antes de os grãos serem aspirados por uma coluna onde os objectos de densidade mais alta como metais, pregos, etc. são retidos. No armazém ao lado das especiarias o cheiro que ressalta é o da erva doce, que se sobrepõe a todos os outros

A firma, referência entre os torrefactores, foi fundadora da respectiva associação e é membro da AICC - Associação de Industria e Comércio de Café.

O Sr. Carlos Pina, profundo conhecedor desta arte de torrar e combinar o
café, pleno de dinamismo e de simpatia, afirma: «O café mais saboroso para mim
é o da Costa Rica! E o café não faz mal: eu bebo 3 por dia e é o que se vê!».


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Cafés da Portela

Centro Comercial da Portela loja 13 e 14-C, Portela de Sacavem

Tel 21 9458 100      apoioclientes@portelacafes.pt           www.portela.cafes.pt


Situado neste recém  criado centro comercial, donde o nome da marca, foi fundada em 1977 pelo Sr. Angelo Marçal, desde 1956 plantador de café robusta no norte de Angola. Aliou aexperiência do cultivador ao saber do comerciante, vindo em 1990 a iniciar a torra do seu café, com um forno Probat.

Posteriormente no próprio CC da Portela abriu uma cafetaria onde passou a servir o café-bebida. Depois foi a acrescentar mais lojas de cafetaria, "sempre a Oriente": Moscavide, Graça, CC.Colombo, CC. Vasco da Gama, Gare do Oriente, CC.Loures, R. Bacalhoeiros, em 2016, num
total de 8 lojas e que não deverão ficar por aqui.
O desenho destas lojas é semelhante e
identificativo da marca: branco, luminoso, expositores e estantes em cores castanho
e vermelho r
ubro da baga do café e do café torrado, decor elegante e que dá um ambiente de requinte, simples e funcional, seja qual for a área da loja e azona em que esta se insere: este visual remetenos para a elegância das casas de chá e chocolatarias que de resto vendem convidando ao estar prolongado próprio dos cafés antigos.

A associação da cafetaria-pastelaria com a venda dos lotes de café e respectivos acessórios, não é nova no ramo, mas de sucesso assegurado. A Portela Cafés mostra
assim uma nova ambição, na passagem para a 2ª geração na família.

O pessoal usa uma farda cor café-com-leite e touca, o que reforça o aspecto distintivo e profissional da marca, empregando no conjunto das lojas e torrefacção c.80 pessoas.

Tem 4 a 5 lotes de café à venda em cada loja, sem indicação da composição mas no sitio da internet diz serem compostos a partir de origens Guatemala, Etiópia, Timor, Brasil, Angola, Indonésia, Camarões, Uganda etc

O seu sítio na net, que é o mais desenvolvido e informativo do ramo, uma
verdadeira iniciação base para o apreciador de café, em que não só detalha
fotograficamente os tipos de moagem e de atributos de cada lote, embora sem a
respectiva composição, como tambem informa sobre as qualidades do café: aroma,
corpo, etc
. Neste site anuncia também cafés puros de origens pouco comuns entre nós, como p.ex. Bluemountain da Jamaica e Nova-Guiné, p.ex.

Tambem não revela a composição dos lotes como passou a ser timbre deste ramo de actividade desde há uns anos, segundo receitas antigas do Sr. Angelo Marçal.

O logos da marca também é de muita graça e leveza, desenhado pelo cartoonista António: um apressado grumete que leva numa bandeja a fumegante chávena! - em fundo vermelho rubro, da paixão pelo café, nada de mais marcante! "Paixão pelo café", o lema publicitário da firma e que diz bem do gosto desta empresa por este produto. Café de bom paladar e agradável aroma.

A modernização da gestão, a expansão sustentada em termos de lojas, a transformação em sociedade anónima, com o fundador e os filhos, Sónia e Jorge Marçal na direcção, deixam augurar uma renovação consistente e auspiciosa para esta marca de café, uma marca a ter em conta.


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As Casas de Café


Casa Alvorada Cafés- Monteiro & Santos Ldª

R. Cabo Delgado 8 e 8 A, Pontinha    Tel. 21 479 00 79

Fundado em 1960 como Monteiro & Santos Ldª que ainda hoje é, tem a decoração, apresentação e os armários em madeira da fundação, muito bem mantidos e agradavelmente cuidados,
o que torna todo o estabelecimento atraente e ao mesmo tempo vintage.

Oferece muitos artigos como amêndoa palitada, queijos, vinhos do Porto, muitos e vinhos de mesa, frutas cristalizadas e bolos secos, ervas medicinais avulso e embaladas, etc pelo que o estabelecimento está bem provido de alto a baixo.

O sr. Fernando Azevedo, sócio gerente, à testa do negócio com mais 3 pessoas, familiares, define o espirito do negócio:«Qualidade e atendimento é o nosso lema. Os sacos transparentes para os bombons, as bolsas de asas em papel pardo, dão o toque de cuidado, os laços são feitos por nós à mão, não queremos comprados. Viver bem e bem servir dá saúde e faz sorrir». No balcão, queijos e charcutaria, fiambre e salpicões, de qualidade e de boas origens, «para se
diferenciar dos hipers, deixando os produtos mais comuns e indiferenciados para
as grandes superfícies. Sabe qual é a única coisa que os hipers também têm que
nós temos? São estes bombons Ferrero e Mon Cheri, o resto quero d
iferenciar-me deles ter o que eles não têm».

E claro o bom café, lotes são feitos na casa,donde o lote Alvorada com robustas do
Brasil, Honduras, São Tomé, Timor, Colômbia fornecidas pela Flor da Selva.

Mostra a montra primorosamente arranjada, com os frutos secos em caixas forradas de lenços brancos bordados, mimosos e cuidados, tudo bem alinhado na montra primorosamente arranjada. E o emblema da casa não é menos marcante: um quadro ao fundo do estabelecimento, um sol que nasce, raios vigorosos e extensos como que a espreguiçarem-se, à esquerda uma negrinha com uma bandeja donde fumega uma chávena de café e à direita um galo empertigado que canta à alvorada!


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Chás e Cafés Babalu- Monteiro & Ruivo Ldª

Lgº Alexandre Gusmão 2 A (Lgº do Mercado), Damaia - Amadora           Tel. 21 497 08 33

O nome Babalu! - é sonoro, facilmente se fixa, era uma figura bem divertida de desenhos animados , companheiro do Zé Colmeia, muito afamado na altura da fundação da firma!

Mesmo em frente ao Mercado da Damaia de Cima, os cafés, os produtos dietéticos, as 36 variedades de ervas medicinais, geométricamente dispostas e etiquetadas são o bem-estar metódicamente expostos na montra!

Debaixo do balcão dos cafés e chás, estão as caixas quadradas e transparentes de biscoitos e bolos secos - 24 variedades de gulodices, com e sem açucar. E os rebuçados também não faltam.

O Sr. Monteiro, dono da Flor da Selva, com o Sr. Ruivo fundaram esta casa por volta de 1962, 1963, tendo os actuais donos, César Daniel e a esposa Célia Monteiro, ficado com a firma por volta de 1982/3. À esquerda estão expostos vinhos, refrigerantes e sumos; em frente é o balcão da charcutaria, queijos de Nisa, paio, salpicões, o requeijão de Seia. Frutos secos têm grande procura, bem como os rebuçados, em grande variedade. As sementes também têm grande oferta. Outro balcão expõe os chás, cafés, bolos e frutos secos, ervanária e produtos dietéticos. Mas como a vida não é só dieta, as prateleiras de vinho de mesa também lá estão, mesmo em frente...

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Chás e Cafés Baía- Rodrigues Silva Cruz, ldª

R. Elias Garcia 115, loja C, Amadora   Tel. 21 495 56 63, 91 931 7700    loja­_baia_rsc@hotmail.com

A loja bem repleta e com uma ampla montra de muita exposição, foi fundada em 1970 por 3 sócios Rodrigues, Silva e Cruz. O actual dono, o Sr.Vitor Monteiro, não sabe o porquê do nome Baía.

Sr. Vitor Monteiro, Cafés Baía
Sr. Vitor Monteiro, Cafés Baía

O Sr. Vitor Monteiro, é um homem dos seus 50 anos, dinâmico, um "activo compulsivo" como se apresenta, que não pára, quiçá pela pica que o café dá! Vem duma família ligada aos cafés os Monteiro de Melgaço: «Chegámos a ser umas 20 pessoas ligadas ao negócio. Quando alguém vinha da terra, vinha para uma das lojas, depois abria o seu negócio, com nomes diferentes e proprietários vários parentes ou empregados mais dedicados, mas todos iam e vão comprar à Flor da Selva na Madragoa, onde está o meu primo Jorge Monteiro à frente do negócio a suceder ao meu tio. Quando nos reuníamos era só a falar de cafés. A 1ª imagem que tenho da loja do meu pai é por ter passado um dia, da abertura até ao fecho, sentado num canto, levado pelo meu pai, tinha eu 3 anos! Foi no dia em que nasceu em casa, a minha irmã!». E quiçá terá sido este "baptismo" na casa de cafés do seu pai que lhe terá dado o gosto por este negócio...

A clientela, já de idade, não toma tanto o café puro, como outrora, prefere mais as misturas à base de cevada, os chás e produtos dietéticos. O sr. Monteiro sabe os efeitos das ervas, dos chás e aconselha por conhecimento e experiência, aprendeu com o pai as qualidades das ervas medicinais. O sr.Monteiro pesa, calcula e vai falando com os clientes, respondendo a dúvidas,
dando conselhos sobre as ervas embaladas. Os rebuçados esses vendem-
se muito e a oferta é vasta: S.Xavier, S.Onofre, dr.Bayard, seiva de pinheiro, Mentol-Eucalipto, etc

O ciclo de vendas desta casa é simples: «Chás de ervas todo o ano, frutos secos no Natal, na Páscoa são as amêndoas e os ovinhos, tudo vendido a peso, o que dá gosto, todo este movimento, é um cansaço salutar, dá gosto, somos só eu e a minha esposa, mas é bom revermos as pessoas, algumas que só vêm por estas alturas».

As 8 variedades de bolos secos em caixas quadradas com tampa de acrílico transparente, são outro chamariz para a gulodice dos mais velhos, bem como o mel do Fundão e de Mação. Os lotes de cafés e as suas misturas mantiveram-se tal e qual, ao gosto da clientela, que não mudou muito. «É uma boa profissão, gosto e estou contente por ter deixado o táxi e ter voltado ao
negócio da família».


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Ex-Cafés Belora,  TerraSagrada II

Tvª Boa-Hora à Ajuda, 53 B, Lisboa   Tel. 96 440 68 01   almof67@gmail.com                                        

Fundada em 1955 por Paulo Monteiro irmão de Manuel Monteiro, é uma das do grupo da Flor da Selva fundadas por esses anos, que juntou Bel(em) e (Boa-H)ora, no nome, as zonas vizinhas que
serve.

Os actuais proprietários Alberto Fernandes e esposaIsabel Fernandes, em sociedade, tomaram a casa em 2013 e pretendem imprimir umavertente de ervanária e dietética, apoiados na prática da esposa, que detem umaoutra casa de dietética às Picoas com o mesmo nome Terra Sagrada I e queemparceira com esta na actividade e serviços e produtos oferecidos.

Situada na Trª da Boa Hora à Ajuda, que liga o Lgº da BoaHora à Cçª Ajuda, por detrás dos quarteis, é uma rua comercial, dos anos 1920, com um balneário e um mercado, congrega uma variedade de lojas para uma clientela diária e fixa. Por isso mantiveram os lotes com as fórmulas que o antigo dono deixou: lotes Casa com Angola, Costa Marfim, Indonésia, Colombia, e o lote Arábicas Brasil, Colombia, Indonésia, Uganda que vêm da Flor da Selva e são aqui combinados. As misturas com cevada e chicória são várias e vão variando conforme a maior percentagem de café que contêm. Mas o que mais evidencia a orientação actual da casa são as 74
variedades de ervas aromáticas expostas em gavetas, de frente em vidro, emolduradas por uma madeira clara, as caixas em folha metálica e bem coloridas. É o canto ervanária e condimentos, ao fundo do estabelecimento. Os condimentos em pó, em 5 grandes boiões de vidro, ajudam à culinária de todos os dias, destacando-
se na prateleira que lhes está atribuída, quais gigantes da culinária, inultrapassáveis campeões do paladar: cravinho, açafrão, cominhos,caril, fécula de batata, etc! Esta casa exemplifica bem donde partiu o negóciode café no passado das mercearias finas e para onde evoluem algumas das casas de café actuais para os chás e doçarias.

Outras vitrinas mais acima expõem as combinações de ervas medicinais, os combinados dietéticos e suplementos alimentares, em caixas modernas, coloridas e apelativas, o amâgo do negócio, depois de no inicio ter sido o café! Alguns produtos regionais como azeite de Alfândega da Fé, figos secos e mel, piscam o olho ao cliente que gosta de produtos regionais.

Noutro balcão estão os frutos secos, os tradicionais amêndoa torrada ou palitada, castanha do maranhão, cajus vários, pevides e a semente da moda e com qualidades inovadoras, o goji.

Aqui e no resto, o Sr.Alberto Fernandes aplica o seu saber de medicina naturista e ervanária,completando o que as pessoas já conhecem das qualidades das ervas.

As portas que dão para a retaguarda são de desenho elegante e moderno, dos anos 1950, vidro estriado e uma asa a fazer de puxador, de madeira mais escura, o que conjugado com os armários ainda existentes em boa madeira maciça, deixam indiciar um estabelecimento esmerado e com gosto que foi. Esta "casa para a saúde e bem-estar" sucede à casa de cafés inicial, acompanhando a idade da sua fiel clientela.


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Casa do Bom Café de Rodrigues & Borges Ldª

R. Prior do Crato 80, Alcantara, Lisboa   Tel. 21 396 17 40

O Sr. José Fernandes, proprietário e profissional com uma longa experiência de cafés, prepara ele próprio os lotes e serve bom café. Alem disso diz conhecer o valor de cada planta por experiência e pelos livros que consulta, vendendosaúde pelas plantas medicinais.

O Sr. Sérgio Monteiro pai de Vitor Monteiro dos Cafés Baía à Amadora e de Célia Monteiro
dos Cafés Babalu à Damaia de Cima, com o Sr. José Fernandes, actual dono, compraram em 1982 a sociedade por quotas Rodrigues & Borges Ldª já existente desde os anos 1940, que se mantem até hoje. O sr Fernandes, homem afável e dinâmico, veio com 14 anos de S.Pedro do Sul trabalhar em Benfica para onde entrou em 1968, "formou-se" com o seu estimado patrão, que recorda com saudade e depois para aqui veio com todo o empenho e profissionalismo.

Casa simples mas funcional e cuidada, tudo luze e tem cor, brilho, atrai e acolhe bem. A montra das ervas aromáticas, são um autêntico "altar" da saúde pelas plantas. «Eu próprio é que faço aqui os lotes, com os cafés encomendados à Flor da Selva e à Negrita, já torrado. Aqui nunca torrámos nem torramos». O lote da casa é 30% arábica mais 70% robusta, sendo as arábicas de Timor, Colombia, S.Tomé, India e as robustas de Angola, Indonésia, Uganda. Os lotes depois de preparados, ficam em caixas de vidro, bem mais apelativos, pela cor acetinada e escura, um
regalo à vista - para quê escolher café fechado em sacos opacos?

Os dois moinhos Hobart antigos são os emblemas da casa, manutenção e afinação pelo próprio dono, que chega a comprar moinhos antigos para ter as peças necessárias, pois já não há representante.

E como nem a vida nem o negócio, são só café, a oferta estende-se ao queijo amanteigado da Soalheira, ao queijo de vaca açoriano, às sementes de goji e chia, à argila.



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Cafélia Ribeiro, Rodrigues & Irmãos Ldª

Av.Roma 55 - C, Lisboa       Tel. 21 796 19 30 

A tela a óleo duma aldeia africana, em que na noite um velho sábio olha as estrelas indicando uma das constelações (será a Cafélia?) para os restantes aldeãos atentos - contribui para o esmero e elegância deste estabelecimento. Fundado em 1952 pelo Sr.Ferreira, como
mercearia, é um primor da casa bem composta, geometricamente arrumada com gosto
e cuidado comercial, pelas mãos dos Srs.Paulo e Gaspar.

Em 1970 ao invés de muitas outras congéneres, especializou-se em chás e cafés, distinção que aindahoje mantem, um exemplo de primor, só expondo vinhos, bolos e bolachas nasestantes à esquerda da entrada, bolos secos e bolachas de baunilha. Mais frutossecos, à direita, sobre o balcão. Os caramelos, as sementes, os rebuçados dãobrilho e cor, pelas embalagens simultaneamente coloridas e prateadas oudouradas um regalo para o olho antes de o ser para a língua!

Nas suas vitrinas altas, os chocolates competem com as caixas vistosas, as chávenas e os bules, o chamar do olhar. Olhar esse que já vem preso desde as montras, primorosamente expostas, guardadas do sol baixo por resguardos de pano branco. Aqui as cafeteiras inox italianas disputam com os balões de vidro, o maior brilho possivel: ou o prateado das primeiras ou o
cristalino dos segundos. Ou dito de outra forma,
o paladar que umas e outras preparam não tem nada a ver, mesmo se o lote é o mesmo. Neste caso o continente modo de preparar faz a diferença,não o conteúdo o café!

«Nós é que compomos os lotes, encomendados os cafés puros à Negrita: São Tomé, Timor, Cabo Verde, Brasil, Colombia, Angola. Claro que algumas vezes nos pedem Beaumont da Jamaica, México, Guatemala e outros, mais caros, mas esses não temos». O bairro Alvalade e Pr.Londres permite alguma sofisticação e a Cafélia está à altura desse desafio. As luzes de néon da fachada, dão outra atracção, outro brilho, chamativo na noite a lembrar que no outro dia, é o café da manhã quem melhor acorda.

As paredes pintadas de escuro castanho um café comleite, em que sobressai o nome Cafélia
«a origem não sei, mas tem obviamente a ver com café
casa do café, terra docafé», o feminino dessa bebida tão masculina "o café", quiçá a musa do café, oua constelação do café...

Mais abaixo do nome e acima da tela e da porta que dá para trás, 4 moinhos manuais daqueles que a moda e a decoração mais difundiram doque o próprio uso, só para exposição, agarrados à parede a decorar e a lembraro antes do moinho eléctrico. E um pacote verde e dourado simbolo da casa, com amarca Cafélia, uma negrinha de perfil. E a Cafélia desdobra-se em vários lotes da casa: lote Marquês de Pombal 70% de arábicas, lote Chávena 15% de arábicas, lote Apolo 70% de arábicas, lote Bar 30% de arábicas.

Da Flor da Selva vem a cevada e a chicória. O moinho Hobart, pintado de castanho a condizer com a casa e não de vermelho como nos outros estabelecimentos «somos nós que lhe fazemos a manutenção. Os lotes são os que já existiam e nós mantemos. Há sim uma anotação com as composições de clientes mais habituais, a quem nós fazemos o lote a seu gosto».

«Os chás são o jasmim e o preto, o oblong, o da Gorreana, o verde, o breakfast, sobretudo
fornecidos pela Carioca. Tambem temos o chá Cafélia
mistura de 2 cháspreto e dum verde». As ervas aromáticas estão "lá em baixo, na cave", qualcofreforte de tanta preciosidade natural. Cá em cima, as tisanas de mistura,já compostas, expostas avulso, em taças, cuidadosamente apresentadas em linhacomo cálices de uma divina poção, cujo liquido vai aliviar, acalmar, estimularquem as preparar e beber: é o altar das infusões!

«Eu gosto do relacionamento, do contacto com o publico, já em miúdo me punha a ver o merceeiro a vender e a falar com os clientes, era o meu passatempo! Sinto-me realizado com este trabalho. Foi o meu 1º e único emprego!». Por estas palavras, o sr.Paulo veste a camisola por este ofício, bem visível no atendimento dos clientes. E a Cafélia continua a brilhar na
constelação das casas de chá e café lisboetas
.


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A Carioca

Rua da Misericórdia 9, Lisboa     Tel 21 346 95 67   htp://acarioca.pai.pt                                             

A casa começou em 18/7/1936 pela mão de Evaristo Santos, Artur Bento Manuel Pereira e Isidoro Teixeira, mas só este ultimo continuou, passando-a ao filho que a vende em* 1993 à torrefacção Negrita, já então fornecedora da casa. Actualmente possui um quiosque de cafés no átrio do Espaço Chiado, na mesma rua mais acima. "O sabor e frescura do nosso café está na torra, feita no próprio dia ou na véspera" afiança o sr. Godinho que, com os Srs. Valdemar, e Gonçalves são os pilares da casa há décadas.

A casa começou em 18/7/1936 pela mão de Evaristo Santos,
Artur Bento Manuel Pereira e Isidoro Teixeira, mas só este ultimo continuou,
passando-a ao filho que a vende em 1993 à torrefacção Negrita, já então fornecedora da casa. Actualmente possui um quiosque de cafés no átrio do Espaço Chiado, na mesma rua mais acima. "O sabor e frescura do nosso café está na torra, feita no próprio dia ou na véspera"
afiança o sr. Godinho que, com os Srs. Valdemar, e Gonçalves são os pilares da
casa há décadas.

É uma pequena loja brilhante, próxima do Lgº Camões, de bandeira espelhada e néons coloridos, armação da montra pintada de vermelho vivo, assim como os moinhos de café. O
interior é aconchegado, de vitrines de vidro que deixam ver chás, cafés, chocolates,
bolachas, açucares, loiças e doces.
Acessórios para o chá e o café também não faltam: taças, bules, latas decoradas, lamparinas, moinhos O balcão em madeira canelada à moda da época da inauguração, está bem coberto de caixas de doces e guloseimas, dois moinhos vermelhos e funil dourado, uma balança, alem do grande moinho, também vermelho à esquerda da entrada. As 10 gavetas dos chás ostentam artísticos desenhos coloridos sobre madeira de figuras nipónicas
ou chinesas.

Ao fundo da loja, em vidro pintado, o nome da casa, o seu lema - "os melhores cafés e chás" e o emblema da casa: a moça carioca levantando com osbraços a taça fumegante. No armazém espreitam tulhas altas com os diversostipos de café. O movimento da clientela vem do bairro e de toda a Lisboa. Aofundo da rua do Alecrim, vêse o azul do rio, de onde vem o brilho que condizbem com o da própria Carioca.

O lote Presidente é o que mais se vende de entre os 15 de café oferecidos a granel, mas também o Palace, o Bar, o Expressso, o Ouro, o Carioca, o Tavares em homenagem ao restaurante vizinho e nos chás é o earl-grey o mais procurado, o rosas da China, o branco, o vermelho e o verde de entre 39 avulso mais outros tantos pré-embalados. À direita da entrada, quatro recipientes em porcelana pintada promovem o café comsabores de baunilha, canela, chocolate etc.

A equipa da Carioca, Sr. Valdemar Faro à esqª
A equipa da Carioca, Sr. Valdemar Faro à esqª

O Sr Valdemar Faro, aqui a trabalhar de 1971 a 2015, sempre de figura aprumada e com o seu casaco verde, bigode bem aparado, recorda: «Os clientes habituais deixavam num livro as
composições dos seus lotes, que preparávamos a seu gosto
. Mas a clientela daqui em volta,
Bairro Alto, era mais a mistura de café, com cevada e chicória e clientes mais habituados ao bom café vinham de longe aqui comprar osnossos lotes. No dia 25 de Abril estivemos abertos até metade do dia e aspessoas vinham comprar muitas bolachas, só procuravam bolachas!».

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Casa de Cafés Laço

Estrada Benfica 661 - C, Lisboa           Tel. 21 716 24 41

Fundada em 1949, a casa é hoje do Sr. Sérgio Solposto e de sua mãe que para ali entrou em 1950 como empregada e depois passou a dona. O dono obrigou-a mudar o seu nome, de Pureza para Teresinha, "a dos cafés", como ficou conhecida desde sempre. Hoje a equipa é composta pela esposa Rita Figueiredo Solposto e por José Rebelo Lima, empregado. «Não me importa de
morar no bairro. Atendo bem, dedico-
me aos clientes, até vão a minha casa paralhes vender alguma coisa, mesmo aos domingos ou dia de Natal, não me importo! Mantivemos as fórmulas dos cafés e das misturas, porque eram apreciadas e continuam a ser, foram pensados para serem preparados em balão de vidro. O lote Solposto leva mais arábicas e a mistura leva chicória e cevada, antes tudo era produção nacional, agora já não». Angola, Timor, São Tomé, Colômbia, Brasil, Cabo Verde, Honduras, Moka ST é de produção asiática. Os chás são da Goreana, ibiscos, roibos, verde, preto, misturas de Natal, quentes e frescos para o Verão, limão com caipirinha, canela maçã. O chábranco é o que é feito com as primeiras folhas do ano.

Srs. Sergio e Rita Solposto
Srs. Sergio e Rita Solposto

O Sr. Sergio Solposto expõe o que tem: «Temos 60 plantas de ervanária, medicinais de que conheço os beneficios e recomendo. Broas fervidas, de farinha, mel, erva-doce, cozidas em tacho, uma especialidade de Torres Novas, azevias de grão, bolo rançoso do Alentejo. Nos frutos secos a avelã de Sátão, as amêndoas do Douro, o pinhão nacional. E ainda vendemos a farinha de amido de milho avulso». Mas uma casa antiga como esta também tem pequenas estórias para contar: «Um dia uma senhora de idade esqueceu -se dum brinco aqui naloja e a minha mãe guardouo à espera que alguém o viesse buscar. Nunca mais veio. Trinta anos depois veio a filha fazer uma compra e tinha um anel com um brinco igual. A minha mãe reconheceu-o, perguntou-lhe onde arranjara aquele anel. A senhora disse que era dum brinco que herdara da mãe, brinco impar poisperdera o outro. Minha mãe perguntou à cliente como se chamava a sua falecida mãe e era de facto a sua antiga cliente que deixara o brinco ali! Então a minha mãe pediu á cliente para provar pelo seu BI que era filha da dita senhora assim era e ficou provado. "A senhora espere aqui um pouco pois vou a casa buscar-lhe o brinco que era de sua mãe". Foi e entregou-lho. Passados uns tempos a cliente voltou. Tinha retirado do anel e refeito o outro brinco e voltou a ficar com o par de brincos completo que fora de sua mãe, 30 anos depois!». Casa de cafés, de memórias e de boas surpresas!  

E "casinha dos cafés" ou "casinha das tentações" como é conhecida devido aos doces tradicionais. O aspeto da casa está inalterado, o moinho Hobart firme, qual sentinela
prestes a funcionar. Na fachada o nome de
Cafés Laço já saiu há muito e espera pelo novo nome - o de Solposto, previsto para breve, na justa homenagem à família que nas ultimas décadas tem dado a Benfica o gosto pelo café e pelo chá.


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Casa Macário

Rua Augusta 272 - 276, Lisboa

Tel.210 479 867      casamacario@gmail.com    www.casamacario.com

Fundada em 1913, por Macário Moraes Ferreira Ldª, o registo comercial data de 1922 e foi comprada em 1974 por Carlos dos Santos Torres, avô dos actuais proprietários Ana Maria Torres Alves Silva Rego e Alberto Torres Alves, então proprietário da Ourivesaria Pimenta. Passou a incluir a venda de vinho do Porto na sua oferta e hoje é um templo deste precioso néctar, em pleno coração da Baixa, visitado diariamente por mais de 600 pessoas. De tão valiosos, esses vinhos estão em prateleiras fechadas, em que cada um pode encontrar o seu ano de nascimento, fazer-se fotografar ou adquiri-la.


É um autêntico ícone das lojas do principio do secº XX, toda ainda de origem, mobiliário da época, madeiras maciças em suaves curvas, linhas e linhas de garrafas, sobrepostas ao balcão e aos lados da entrada, numa postura que tanto tem de exposição como de convite: "leva-me contigo!".

Um lugar carregado de tempo e de garrafas de muitos anos. Essa fartura que aí sentimos quando entramos, vem nos do antigo das instalações, da penumbra, do compacto pelomuito que é exposto, como convem a uma garrafeira. O tradicional negócio da casa continua: compra em verde os cafés dos Palops, Indonésia, Brasil, Camarões, Etiópia, depois torrado na Negrita, fazendo na casa os lotes: Amoreiras, Monte Real, Augusta. Caso único, estes dois lotes têm a
composição indicada: Augusta 60% de robusta, Honduras, Costa Rica, S.Tomé e Nicarágua, cada com 10%; Monte Real tem 40% de robusta, 20% de Colombia, Nicarágua, Brasil, Timor e Vietname, cada com 10%
. Clientes houve que compunham os seus próprios lotes, ali vinham abastecer
se. Já o chá vem emsacas ou já embalado, sendo o da Gorreana o mais procurado pelos estrangeiros.A oferta de anos de vinho do Porto começa em 1900 e é procurada sobretudo pelosestrangeiros. Contudo há referências a um estabelecimento anterior, naquelemesmo local, que vendia vinho do Porto a que depois acrescentou cafés e chás.Um sitio predestinado a tal comércio!

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A Mariazinha

Av. Rio de Janeiro 25 B, Lisboa         Tel 21 849 15 62     facebook.com/AMariazinhaCafes     

A primeira Mariazinha foi fundada em 1934 na Tvª Barros Queirós enquanto esta de Alvalade foi em 1957, tendo existido outras Mariazinhas em diversos locais da cidade que entretanto encerraram. O Sr. Manuel Joaquim Manso, dono da Tropical em Odivelas, adquiriu esta firma em 1987 onde o seu filho e esposa asseguram o atendimento.

Com efeito trata-se duma família ligada ao ramo doscafés já que detem ainda outro estabelecimento do género O Moinho da Amadora dirigido por um outro filho.

O sr. Paulo Manso, actual gerente desta Mariazinha de Alvalade que embora não tendo conhecido as pessoas, conta: «A Mariazinha foi aberta pelo Sr.Jerónimo Coutinho e era o nome da filha. Depois do seu falecimento só a viúva continuou e não os filhos, que resolveram passar nos o estabelecimento. O meupai na casa de Odivelas é que faz as compras para as 3 lojas e nós é quefazemos a moagem e o lote na loja. Estou neste negócio por gosto, por família e naturalmente desde miúdo que para aqui vinha. Faço cursos para me actualisare ter novas competências».

A torra do café é na Flor da Selva e os chás são da Negrita. O café em cápsulas retirou muita clientela, mas já estabilizou e os clientes estão a deixar as cápsulas e a voltar ao café em grão. Actualmente, os frutos secos e as sementes estão muito na moda, pois fazem parte da
alimentação quotidiana de muita gente ao pequeno-almoço e não só na culinária e nem só pelo Natal, mas todo o ano. Tambem as tisanas de frutos e os chás de ervanária, estão muito em voga desde há uns 7 ou 8 anos alem dos chás pretos. Nos bolos secos as especialidades da casa são os Ss de manteiga e as
Flores de manteiga.

A D.Teresa Manso, mãe de Paulo Manso, senhora de bom ânimo, que com ele trabalha, acrescenta: «Há clientes que vêm cá para conversar e o meu filho tem muita paciência para eles, até fecha mais tarde só para ter de os ouvir. Os clientes são estimados "se muda alguma coisa daqui deixo de cá vir!"ou oferecemme uma foto com dedicatória. Tratamos igualmente bem todos, desde acriança ao mais idoso. Servimos sempre com seriedade e honestidade. Assim queas pessoas entram a porta, eu dou os bons dias. Costumo dizer que os meus clientes são escolhidos a dedo».

O estabelecimento tem 2 portas pintadas atrás do balcão onde figura o empregado de café e a criada de avental branco. Mas as placas de vidro pintado e afixadas às paredes altas é que dão graça ao interior, de resto muito arrumado e geométrico. Na fachada, de porta ao meio e aros de metal azul, uma das montras exibe uns copos altos cheios de sementes e frutos secos, os tais novos alimentos do dia-a-dia. A outra montra mostra tentadoras caixas de chocolates e bombons, bonitos desenhos ou fotos de paisagens serenas. Tudo bom de se ver e ainda melhor de se saborear!

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Moinho da Amadora

R.1º Dezembro 3 B, Amadora      Telef. 21 493 01 63

Sr. Pedro Manso, com a esposa, são donos deste estabelecimento desde Maio 2001 - a Manuel
Martins Ldª
, que foi o fundador c.1950, passou as quotas aos empregados tendo destes ficado o sr. Augusto que passou aos actuais proprietários. E são da mesma família dos donos da Mariazinha de Alvalade, onde aliás o Sr. Pedro Manso começou e agora está o seu irmão Paulo,
com o mesmo entusiasmo e boa disposição.
A pintura mural é de 1962 - 3 negros numa aldeia africana ladeado dum quadro dum pintor moçambicano e pelo emblema da firma - um moinho saloio de velas armadas (a Amadora era terra destes moinhos!) com a legenda em Moinho da Amadora.

A população, embora mais velha e a diminuir o consumo, é significativamente mais refinada, mais gourmet, isto é, pouco mas bom, mais qualidade. Os bolos caseiros, com e sem açucar, as frutas desidratadas, as sementes, são o forte das vendas e depois a pagina no facebook tem-se revelado um grande veiculo de publicidade: «Eu nem imaginava, a minha mulher teve a ideia e tem sido um sucesso. Pomos páginas, álbuns, novos artigos e também temos uma página na internet, o melhor meio de difusão. Temos a lista dos cafés comprados pelos clientes mais frequentes». Os lotes são da Negrita e da Flor da Selva, antes torravam e era um cheirinho tão bom, atesta uma cliente antiga que entra e que então trabalhava ao lado.

Desidratados tem o gengibre, a manga, a papaia, o kiwi, a maçã. «É toda uma mística que esta casa transpira - o café que a mãe levava, ou a avó, a cafeteira, o café das velhas,
fideliza, traz as pessoas de volta, mas o café é a base
». As cápsulas fizeram perder clientes e não é fácil recuperar, embora muitas pessoas se vão desgostando delas e retornem aos nossos cafés. Tambem tem o moinho manual de manivela ao lado ou de manivela em cima, em tempos. Os rebuçados mais procurados são os Dr.Bayard, aliás fabricados ali perto, as ervas medicinais, os doces e os bolos sem açucar para prevenir o colesterol ou os diabetes têm procura todo o ano, independentemente do Natal e da Páscoa as duas épocas de pico, em que o casal mais labuta, ajudados pelo filho de 14 anos.

Estabelecimento muito cuidado, com brilho, muita luz e cor, tem uma montra bem fornecida como fornecidos estão os balcões, repletos de caixas transparentes de onde se vêm os apetitosos doces ou rebuçados. E sempre as incontornáveis bolachas e bolos secos em caixas
transparentes, tudo a chamar à gulodice e a bem saborear a vida!

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Moinho de S.Bento

R. Poiais de S.Bento, 106 Lisboa    Tel. 21 390 18 32

É uma memória da marca de cafés que aqui perto fazia a torra  neste local vendia ao publico, donde o emblema e os lotes de O Moinho de S.Bento, cujo armazem se mudou. Fundada em 1930, aqui ficou a cafetaria, antiga, de mobiliário, em madeira maciça escura, usada mas de
qualidade, com restos de brilho e chique que já teve
. Hoje é muito animada e frequentada por gente do bairro do Poço dos Negros e de S.Bento, ponto de encontro ao longo do dia, pautado pela passagem do electrico 28.

Vende 4 lotes de cafés próprios: Presidente, Extra, Timor, Especial que é o da casa e as misturas
feitas no momento. Por detrás do balcão, lá estão as caixas do café donde sai o grão. Frutos secos, Farinha 33, bolachas, compõem as vitrinas mas são as duas pequenas mesas que atendem o cliente de passagem. Na montra algumas chávenas do Moinho de S.Bento, e os dois moinhos Hobbart, vermelhos de capacete em folha cinza, sempre prontos para a próxima moagem.

Qual é o segredo do bom café? «Saber torrar o café, escaldar sempre a chávena, moer no ponto certo, servir o café o mais curto possível, é o que faz uma boa bica. Tirar a bica com
amor e na conta certa - o mais curta possível, é o que faz o bom café» responde D.Amélia Batista, dona do
O Moinho de S.Bento
, desde 2005, senhora de boa presença e a alma deste café. Arte de fazer bom café e gosto em bem receber, eis os "segredos"desta casa!

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Nespresso

Rua Garrett 8, Lisboa            www.nespresso.com                    

É um estabelecimento de vanguarda, boutique de apresentação do café do futuro: em cápsulas ou pastilhas, inodoras, que melhor guardam o aroma, invioláveis, que preservam a frescura e a limpeza na preparação. As senhoras gostam porque não deixam borras de café, os cavalheiros porque é a bica em casa, com uma máquina moderna e luzidia para poderem operar técnicamente. A garantia está na marca,o N formado por duas ondas. Tem tido um sucesso enorme esta nova apresentação, ganhando cota de mercado ao longo dos anos, pois não só é tirar a tampa, fácil e prático, como também é de pôr numa das 20 máquinas propostas, todas belas e atractivas, reluzentes e de bom design. Aliás esta oferta é toda uma gama que
vai do produto inicial, o café, até aos bules, chávenas, colheres, doces, bolachas, chocolates, toalhas, moinhos, até à decoração, expositores ou dispositivos de arrumação, tudo integrado e a condizer com um estilo de vida ou linha de consumo o culto pelo café amodernizarse e a ganhar novas técnicas e acessórios!

    Não fornece indicação da composição nem das origens, só quatro puros (Brasil, Colombia, Etiópia e India). Indicações só de intensidade (será o teor em cafeína?) que vai de 1 a 13 e aroma (frutuado, médio e intenso) para umas duas dúzias de cápsulas diferentes.

É a 1ª loja em Lisboa, inaugurada em 2003, duma decoração minimalista, moderna e sintética, característica da Nestlé, fabricante e inventora duma colecção variedades de café e suas misturas (Nescafé, Mokambo, etc.), de grande consumo há décadas, agora actualizado com esta nova forma de saborear café: em pastilhas, com nomes de fantasia e cores evocativas. Cores essas que dão uma bela decoração a este estabelecimento, moderno e luminoso, num arco multicores, com uma equipa de diligentes atendedores. Em 2014 expandiu-se para a loja de baixo, a R.Carmo nº 1, com a bela fachada "Au Bonheur des Dames" da antiga Perfumaria da Moda, consumida pelas chamas de 25/8/1988. Mas o que veio agora decorar este novo espaço para "felicidade das damas" foi o cartaz publicitário do George Clooney em que este prova o Nespresso...

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Nicola Gourmet

Rua 1º Dezembro 10 - 12, Lisboa   

Tel 21 346 05 79

É uma loja de café da marca Nicola, que tanto vende em lote para fora como serve no
estabelecimento os vários lotes. Criada por volta de 1995, é a vertente de venda de café em grão do Café Nicola original e mais antigo, situado a poucos metros.

Aquele um clássico de Lisboa, este com uma decoração interior em madeira de castanho, dá um ambiente acolhedor, estantes altas iluminadas em vidro, expondo bules, chávenas e acessórios inox á esquerda e estantes abertas à direita com caixas de folha pintadas de verde e vermelha. Os balcões da mesma madeira, com dois moinhos um antigo, vermelho Hobart e outro actual, donde se solta um aroma agradável quando mói. Algumas pequenas mesas dentro e fora do
estabelecimento. Dois arcos em tijolo, duas "ardósias", uma de cada lado da porta, dão a lista de chás e de cafés, contidos em recipientes de vidro e latão, contendo os cafés. As montras de vidro dão a visão dentro
e fora quecompete a um café publico bem como a largueza espaço interior. Também serve sumos e refeições ligeiras.

É uma loja de café da marca Nicola, que tanto vende em lote para fora como serve no
estabelecimento os vários lotes. Criada por volta de 1995, é a vertente de venda de café em grão do Café Nicola original e mais antigo, situado a poucos metros.

Aquele um clássico de Lisboa, este com uma decoração interior em madeira de castanho, dá um ambiente acolhedor, estantes altas iluminadas em vidro, expondo bules, chávenas e acessórios inox á esquerda e estantes abertas à direita com caixas de folha pintadas de verde e vermelha. Os balcões da mesma madeira, com dois moinhos um antigo, vermelho Hobart e outro actual, donde se solta um aroma agradável quando mói. Algumas pequenas mesas dentro e fora do
estabelecimento. Dois arcos em tijolo, duas "ardósias", uma de cada lado da porta, dão a lista de chás e de cafés, contidos em recipientes de vidro e latão, contendo os cafés. As montras de vidro dão a visão dentro
e fora quecompete a um café publico bem como a largueza espaço interior. Também servesumos e refeições ligeiras.

Este Nicola Gourmet foi percursor da nova vaga de estabelecimentos de café, que são cafetarias e pastelarias, vendem o seu café em grão para levar, uns puros Quénia, Brasil, Jamaica outros emlote, numas dez a doze variedades.

 

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Casa Pereira

Rua Garrett 38, Lisboa

Tel. 21 342 66 94                                                

A equipa da Casa Pereira, Sr.Antonio Lemos ao meio
A equipa da Casa Pereira, Sr.Antonio Lemos ao meio

José Francisco Pereira fundou o estabelecimento em 1930 que se transformou na sociedade Francisco Pereira Ldª em 1970. O Sr. António Lemos ali empregado desde 1945, entrou
na dita sociedade, de que é gerente, orientando uma equipa de 3 empregados mais
o filho, José António, também sócio.
«Foi a introdução de vinhos em 1996 que veio dar um
novo fôlego à casa que só com a sua vocação tradicional
cafés e chás nãosubsistiria. Embora os clientes já vão na 4ª geração, as pessoas hoje já nãovêm aqui comprar tanto como outrora», recorda o Sr. António Lemos, feliz nosseus oitenta de idade e quarenta de gerência. Os bolos e biscoitos, algunsavulso, da fábrica Paupério e da ex-Casa da Laura de Cascais, continuam a
ser algumas das variedades. Doces caseiros e chocolates, amêndoas e frutos secos, fazem o resto da oferta.
Mas o mais destacado são os modelos de máquinas de fazer café - em balão de vidro ou em cafeteiras expresso, modelos italianos ou ingleses, todo um brilho de vidro
e de inox. Os infusores de chá, sem esquecer o saco de café, em flanela branca, os moinhos de café, de volante lateral ou de manivela, são outros tanto acessórios deste culto da cafeína.

E na vitrine, as variedades de café e os lotes da casa: Cardeal, Império e Continentes.
Com efeito, as origens são Timor, Cabo Verde, S.Tomé, Brasil, Colômbia, Angola,
Uganda, os dois últimos da variedade robusta, os restantes arábicas. Os chás,
esses são da Índia, Ceilão e China, muitos já embalados vindos da Grã-Bretanha.

A decoração da casa, simples e rectilínea, ao comprimento, em que se vai entrando, observando, escolhendo, até ao balcão do fundo, onde a caixa espera, é de origem: armários em madeira de castanheiro, montras de vidro impecável, batalhões de garrafas alinhadas prontas a entrar na mão de quem as queira levar, a mais das vezes para alem fronteiras.

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Casa Pereira da Conceição

Rua Augusta 102, Lisboa     Tel 21 342 30 00

A elegância do estabelecimento está no mobiliário estilo Luís XVI em delicado cor decinza, efeitos pintados a branco, do final do secº. XIX. Em 1933 o Sr.Pereirada Conceição, na altura com 73 anos, com dois filhos, sai do espaço que é hoje Casa Chineza e vem aqui estabelecer-se, no mesmo ramo. O tecto tem estuques brancos trabalhados. Os leques, desdesempre uma oferta da casa, em vitrine própria ao fundo do estabelecimento,completam o requinte da casa e dãolhe um toque leve e airoso. 

As miniaturas de casas regionais britânicas, as chávenas de café, os serviços de chá e café, as maquines e os balões de café, expostos nas vitrinas, acrescentam bom gosto à casa. O aprumo do Sr. Silva há muito empregado da casa, casaco castanho-escuro, atenção profissional e da sua
colega, completam o bom acolhimento da casa.

Na cave está o mais curioso: um elevador manual facilita a subida e descida das cargas, e a um canto reservado para o efeito, moem-se e fazemse os lotes de café CD, Embaixadas, Pereira da Conceição, etc. Hoje é na Torrefacção Negrita onde manda combinar Arabica Colombia, S.Tomé e Robusta Angola e Indonésia. Uma saída de ar para a rua permite fazer uma subtil publicidade odorífica ao café... O requinte de tempos idos fazia com que cada cliente combina se o seu próprio lote e alguns tenham esse registo em livropróprio da casa, o que tem possibilitado aos descendentes comprarem, muitos anos depois, os cafés que os avós preferiam...

«Até à Guerra tivemos loiças da China, depois tivemos a representação exclusiva das loiças de Alcobaça de Raul da Bernarda durante o período da guerra e hoje temos porcelanas alemãs, francesas e italianas", recorda Margarida Pereira da Conceição, dona e a assegurar em 3ª geração esta Loja de Tradição galardoada como tal em 1995. As bolachas e os biscoitos, os
delicados e sortidos pedaços de chocolates, expostos em montra refrigerada (só de Outubro a Abril), os dropes, as lindas e fantasiosas caixas de chocolates, completam a oferta da casa. Vinte variedades de chás, tal como os cafés, são guardados em gavetas próprias atrás do balcão. Quatro moinhos já com a sua época e duas balanças, completam o décor antigo da casa. Elegância na apresentação, tradição da marca e qualidade no café, eis como se define esta
firma emblemática.

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Pérola de Chaimite

Av. Duque d'Avila 38 e 38-A, Lisboa

Tel. 21 314 03 61  perola.chaimite@gmail.com  www.peroladochaimite.com

O padrinho Isadoro Teixeira do actual sócio-gerente, Sr.Luis de Freitas, que com mais 3 sócios tinham fundado a Carioca, em 1940 decide abrir esta casa nas Avenidas Novas e depois
em 1955 na Av. Guerra Junqueiro a
Moka Real, já desaparecida, sempre ao pé das paragens de autocarro ou de eléctrico, aqui onde era uma mercearia e queijaria. Em 2003 cederam as quotas aos actuais donos, Sr. Freitas, pai e filho, que não fizeram uma loja gourmet, não de modas, mas de artigos que acompanham o chá e o café, artigos tradicionais - bolachas, bombons, rebuçados,
licores, concentrados de sumo para refrescos, etc..

Várias peças, moinhos, um pequeno torrefactor para experimentar as amostras a selecionar, são as peças expostas para dar este arde minimuseu, de anos 1940, que os balcões e armários em madeira de castanho ealgumas caixas redondas de bolachas, como a Paupério reforçam. O resto são altas prateleiras bem expostas, sendo a de trás do balcão para chás em cima e cafés em baixo. As prateleiras da direita são para o tipo de caixas e pacotes de doces e guloseimas. Ao centro um balcão está repleto de mais ofertas enquanto o expositor em frente à porta é para bons vinhos, licores e vinhos do Porto. A pequena montra é apelativa pelos grãos de café que a inundam, dando esse sinal de abundância. À porta um boneco representando um preto é atractivo para turistas tirarem fotos do largo passeio em frente - a chamar por uma esplanada

Em suma uma equipa perfeita: a experiência do pai com o vigor do filho, um empregado competente e de longa data para renovarem um negócio, dandolhe novo fulgor econtinuidade, a esta pérola das Avenidas Novas.

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A Pérola do Rossio  

Rossio 105, Lisboa           Tel 21 342 10 82                                               

Fundada em 1923 por Mário Lopes Morais, permanece em 3ª geração na mesma família. Um empregado, o Sr. Magalhães, faz o atendimento a mais de algumas centenas de visitantes diários, maior parte estrangeiros. O mais vistoso são os anúncios em néons à noite na frente da casa, uma raridade do encanto desse anuncio, colorido e vivo como muitos reclamos desses que existiam no Rossio de meados do secº XX. Vende cafés lotes ultramarino e pérola e chás Ceilão, olong e pérola ovelho moinho de café e ao fundo o reclamo em vidro fosco em que brilha o nomeda casa em fundo néon, verdadeira bandeira da casa, frente à entrada, que faz odestaque da casa, numa decoração própria da época de fundação, vitrinasforrando as paredes com fundo de espelho a aumentarem o espaço e muita luz nointerior, quer natural quer artificial no Inverno. A fachada em ferro pintado acastanho, de porta ao meio, duas montras de cada lado, face ao Rossio, uma palasimples e as letras coloridas sobre a porta, dãolhe o ar antigo e ainda não(re)tocado. O turismo, com forte passagem pelo local, até pela paragem deautocarros deixando visitantes, veio dar um novo alento a esta loja detradição, donde cada vez mais lembranças turísticas as pequenas peças emmetal, as pequenas loiças, bules, as miniaturas dos eléctricos de Lisboa quese levam mais para oferecer do que para o próprio guardar como lembrança. Mas é esta funcionalidade simples e prática que torna a Pérola do Rossio uma concha de pequenos encantos no coração da cidade.

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"A Samaritana"  Casa de Chás e Cafés H. Silva e Santos Ldª

Rua José Ricardo 1, 1-A,

tel 21 812 2711



Esta casa outrora de mercearias finas, manteigas e cacau, chás e cafés, talvez fundada
nos anos 1930, por 3 sócios - Herculano, Silva e Santos - que ainda hoje dão o
nome à firma de responsabilidade limitada, mas hoje de um único dono, Antonio
Monteiro, mas não os Monteiro da Flor da Selva.

Os cafés, suas misturas e derivados, são da Guatemala, Brasil, Colômbia, Timor adquiridos
à Negrita e combinados ao gosto da casa para a clientela fixa desta zona de Arroios, não longe do respetivo Mercado.


Armários e balcão em boa madeira, um painel em vidro sobre a porta com a marca da casa
em letrário rectilineo quiçá dos anos 1920, são os únicos toques decorativos
que denotam a dignidade deste estabelecimento, outrora bem afreguesado, de seu
nome - Samaritana - pois oferecia e oferece chás, cafés, infusões e cacau a quem os procura, como aquela boa mulher ofereceu e deu de beber a Jesus!

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Casa da Selva

Estª Benfica 373 A, Lisboa

Tel. 21 778 25 88    casadaselvamf@gmail.com

Neste lugar desde 1965, antes chamava-se Pérola dos Cafés de Jaime Goulão Ldª e
era no nº 319.


    Antes de aqui estar, esteve em dois outros lugares desta Estrada de Benfica. Espaço reduzido para a muita frequência de fregueses um simpático ponto de encontro diário entre vizinhostem na porta que dá para a retaguarda uma foto dum cafezeiro latinoamericanojunto duma planta do café. O escritor Nuno Merkel que mora(va) nas imediações,fala num dos seus livros desta casa e do seu bom cheirinho. O sr. Manuel Silva, meia-idade, de bigode e olhos que se riem por detrás dos óculos, veio para aqui em 1987 vindo da então Pérola dos Cafés à Prª Chile. Atende uns
    e outros que ao longo da tarde vão entrando e saindo, comendo o seu bolito doce, quedando-
    se uns momentos de conversa e convívio, tudo gente de idade queassim sai de casa. Figura afável, o Sr. Silva é o dono e senhor desta casa edesta arte de vender e preparar bons lotes, sendo o mais afamado e com maisarábicas o S.Domingos, da freguesia onde se situa, o Principe, o Selva, o Chavena, o com menos arábicas e mais robustas. Não está nem esteve ligado à Flor da Selva apesar do nome, mas é de lá que se abastece, bem como da Negrita, fazendo ele mesmo os seus lotes.

Sr. Manuel Silva, Cafés Casa da Selva
Sr. Manuel Silva, Cafés Casa da Selva

Bem fornecido de frutos secos, muita variedade de rebuçados, tudo avulso, grande cabaz de nozes do Alentejo e castanhas, alperce d'Elvas, ameixa, tâmaras, figos da Turquia ou do Algarve, figos pingo de mel, passas de Málaga, mel, marmelada, compotas. Nos chás, Namuli
e dos Açores, o Pérola, Jasmim, Ceilão, Earl-Grey. Nas vitrinas cafeteiras reluzentes, expresso italiana e balões de vidro, caixas de bombons e de chocolates em folha, bem decorativas e canecas de chá apelativas.

O balcão está repleto de dezenas de variedades de bolachas e bolos secos, por detrás do qual o Sr. Manuel Silva, se movimenta com presteza, qual muralha de guloseimas e tentações, «a tentar sempre servir o melhor que posso, se não sirvo melhor é porque não posso ou não sei, com espirito de sacrifício e conhecimento». O emblema do estabelecimento é um leão correndo, bem vigoroso, a condizer com o dono da firma!

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Sintoniza o Momento Ex - Pérola dos Cafés 

Av. Alm. Reis 136 D, Lisboa           Tel. 92 535 64 21

A Pérola dos Cafés abriu por volta de 1950, tinha como emblema por cima da porta, uma cafeteira de café. Pertencia à Aveirense que detinha igualmente a charcutaria ao lado, ambas completando-se nos seus ramos de actividade e na apresentação dos estabelecimentos, cuidados e modernos para a época. Em Fevereiro 2014 passou para a actual dona, D.Silvia, que o
transformou num balcão de gulodices, a servir bicas, chocolates, doces e artesanato, uma tentação para quem passa e para as clientes habituais. Ontem como hoje um estabelecimento atraente e bem apresentado, num local de muita passagem.

Espaço bem decorado, leve na exposição da oferta variada, não carregado e selecionado. Cafés, chás, muitos fornecedores de muitas regiões, a garantirem a genuidade da procedência, bolachas, biscoitos, compotas, licores do Alentejo, figos do Algarve, castanha. Publicidade de boca a orelha e uma página no facebook são a melhor difusão. O dinamismo da dona Silvia completam o bom atendimento, a ensaiar gostos e produtos, «todos os dias ou todas as semanas vamos variando, dando novidades».

Licores e bolacha de manteiga de Nisa, bolos doces, doce de cereja com gengibre, chá Goreana, azeite de Portalegre, Farinha 33, conservas, pólen, vinho do porto, latinhas, bules, amêndoa do Algarve, rebuçados no Inverno e cafés, chás d'ervas e roibos. «Proponho o chá ao cliente conforme a sua tensão arterial ou estado saúde: com ou sem teína, conforme a tensão é alta ou
baixa, respectivamente. Também tem coisas de Lisboa, pera com moscatel, ginjinha d'Obidos, mimos d'alfarroba, aguardente de medronho, bombons com recheio, mel da Lousã da Apimel,
premiado, frutos secos, rebuçados
S.Onofre, Dr. Bayard, marmelada bio.

Aqui chocolates belgas, ali chás ingleses ou alemães, ao fundo os lotes Pérola, Timor, Brasil, S.Tomé, Costa Rica, Angola, Colombia, Brasil, Cabo Verde, da Negrita, tudo exposto em caixas altas de vidro, bem visíveis de fora do estabelecimento, sob bons focos de luz.

Em suma este dueto de mulheres de genica e imaginação, está a renovar uma emérita casa de cafés e chás, que já foi Pérola e que agora é um mimo, tornando-a num mix de doces,
frutos secos e licores, que atraiam e mimam outras mulheres. E a decoração é
ela também bem feminina, graciosa mesmo!

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Tangani Cafés

R. Beneficência 38 A, Lisboa

Tel. 21 797 61 82

Fundada em 1957 pelo fundador da Flor da Selva, o sr. Manuel Monteiro, é hoje detido por um dos seus irmãos, o Sr. Fausto Monteiro, que por sua vez a quer vender e retirar se parauma merecida reforma. É a típica casa de chás e cafés de bairro o do Rego ouda Beneficência quase a chegar à passagem de nível, que lhe deu muitomovimento. O emblema, marca da casa, é um homem com um turbante na cabeça,evocação da Turquia ou Arábia, donde originalmente o café proveio.

A Tangani nos tempos comprava o café e torrava, quando o café de chávena era pouco, então dominavam as misturas, mais baratas, que só a partir dos anos 1970 se foi aumentando o consumo dos cafés puros. Mas os chás perola e Ceilão, jasmim, verde e preto, também têm aqui o seu lugar. Caixas de tâmaras e bolachas de Espanha, as de baunilha, palitos de la reine,
línguas de veado, palmiers, massas folhadas, de canela, os esses, as integrais sem acucar, etc., rebuçados peitorais e de mentol, caramelos, gomas, em suma o habitual deste tipo de negócio, e os competentes moinhos de café, dois.
É pois um estabelecimento adormecido no tempo, à espera de um novo impulsionador que o renove e o continue.


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Cafés A Tropical

R. Coronel Ferreira Simas 2, Odivelas          Tel. 21 931 1004

Da família Manso detentores da Mariazinha d'Alvalade e do Moinho d'Amadora é a casa mãe deste pequeno grupo familiar, e a típica merceariacuidada e repleta de bons artigos juntamente com os frutos secos, vinhos,doçarias, bolachas e biscoitos.

Hoje está à cabeça o Sr. Manuel Manuel Manso, o pai dos detentores das casas acima referidas, aqui a trabalhar desde 1965 "logo após ter saído da tropa e 2 anos depois da casa ter sido fundada" em 1963 por João Santos como Modesto & Santos Ldª.

Mantem a apresentação das boas mercearias da época, toda revestida de armários em madeira maciça e um comprido balcão, todo ele repleto de artigos. Os sacos de nozes, os figos secos, os biscoitos, os bolos secos - assinalam uma clientela que ainda gosta de bons frutos da época, secos, que foi durante gerações a doçaria sazonal de gentes das províncias.

Toda esta apresentação, alinhada, jogando nas cores e nas marcas, preenchendo os balcões que passam a verdadeiras muralhas dum castelo, em que o dono e senhor, qual alcaide, anda dum lado e para o outro, detrás desta "muralha" comercial espreitando de quando em vez para fora a assomar às ameias, perguntando «E que mais vai ser?».

A montra também revela que clientela é a sua fiel, de idadee a apreciar os doces e os frutos secos numa zona próxima do centrod'Odivelas, mas longe dos hipers, o que lhe deixa margem de negócio de algumaqualidade e especialidade.

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Casa de Chás e Cafés

R. Capitão Leitão 61 B, 2800 - 136 Almada  Tel. 21 276 53 73

É a simplicidade em casa de chás e cafés: na marca sem nenhuma designação distintiva no espaço, na decoração deste, nos caféspropostos, nos artigos oferecidos. Mas o que mais vale é a simpatia e paciência da atendedora, Lucia Almeida, que a todos recebe com um sorriso e vagar. Aqui desde Março 2015, sucede à Menina Noémia que aqui esteve desde 1966, provavelmente do grupo da Flor da Selva. Algumas infusões em saquetas como lucia lima, sene, cafés com mistura, mas nada de chás medicinais. Algumas sementes, o mel da Granja no Alentejo que é de rosmaninho e de urze, oscubos de marmelada do Sardoal, com açucar por cima, uma lembrança para osclientes de mais idade, a preencher necessidade gulosa para quem vai envelhecendo e só aqui encontra a broacastelar e a broa de milho! Assombrinhas de chocolate da Regina também têm procura. A rua essa é bem comercial, de muito e variado comércio,
mais adiante, uma das várias colectividades que animam Almada.

© G. P. 2016

Os Torrefactores


Sr. Carlos Pina, mestre torrefactor, Negrita


Nascido em 1926 em Lisboa, Carlos Manuel Rodrigues Pina, deixou a meio o curso de Quimica no I.S.Técnico, para ir trabalhar na Negrita aos 20 anos, tendo aprendido com o pai e com os sócios a arte do café. Por morte deste, assume a gerência plena da Negrita em
1972/3, tendo introduzido a torrefacção a gás em substituição da lenha e do
carvão, seguindo-se a automatização da torra, combinação do lote e empacotamento.

Habilitado com o curso de Comércio, longa experiência comercial e sempre no ramo dos cafés, dirige uma equipa de uma trintena de empregados na Carioca e na Negrita «que trato como família. Diariamente sou o 1º a entrar e o ultimo a sair, dou o exemplo de bem trabalhar. Não tirei nenhum curso sobre café, visitei torrefactores de café na Bélgica e aprendi com o meu pai e os
sócios o segredo de fazer bons lotes e escolher bons cafés. Adaptei-me a este
trabalho que abracei com gosto e dedicação». Tem a seu lado desde há um par de
décadas a sua filha, a engª Helena Pina, o que é garantia não só de
modernização desta empresa familiar como da sua continuidade, para a 3ª
geração.

O Sr. Carlos Pina esteve na direcção do Grémio e depois da Associação Nacional de Torrefactores de Café durante 20 anos, associação a que sucedeu a actual Associação Comercial e Industrial de Café, de que a Negrita é membro. Desde 2010 é Mestre
Conselheiro da Confraria do Café.

«Um dia alguém me disse que "tudo o que é moído dá um bom negócio" no sentido menos nobre do que deve ser um negócio. A partir daí eu defini a minha postura na profissão: "No grão é que está a qualidade, a garantia do bom e verdadeiro café!».

E com esta orientação de vida e de empresário, o Sr. Carlos Pina é um exemplo de bom e correcto comerciante e uma referência no sector dos cafés. Com a sua permanente simpatia e cordialidade, é mais que um senhor à moda antiga, é um exemplo do gosto pelo trabalho, que faz com boa disposição e diligência, um modelo de empresário, exemplo a seguir.

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Sr. Jorge Monteiro, o artesão do café da Flor da Selva


O Sr. Jorge Monteiro nasceu em Lisboa em 1952, licenciou-se em engenharia civil pelo IST, na especialidade de urbanismo, tendo sido convidado para a equipa do Prof. Costa Lobo, distintourbanista «pessoa que muito me marcou» mas optou por ajudar o pai naempresa, o que abraçou com gosto. Não tem qualquer formação em café ou na suatorrefação, «pois não existem cursos nem escolas, aprendi com o meu pai naprática e depois a ouvir os mais velhos, os seus colegas mais antigos deprofissão, que de todos aprendi algo, pois tinham algo de válido para metransmitir».

«Sempre acompanhei o meu pai. Um dia foi a entrega total: tive de enfrentar diversos problemas pois vim substituir o meu pai que estava ausente por motivos de saúde: tratei das formalidades técnicas e legais da torrefacção a lenha, mandei montar o torrador (máquina de torrar café) comprado na Alemanha, resolvi tudo, fui pagando créditos, isto com os meus 21 anos. A partir de 1985 fiquei á frente da gerência sozinho e nunca mais deixei a direcção da empresa, em dedicação plena. Sempre gostei do trabalho, fazer, criar, estar aqui ocupado é o prolongamento de mim». E é tocante de se ver pai e filho a trabalharem lado a lado, Francisco Monteiro, recém formado em gestão de empresa, já ao lado do pai, a 3ª geração a preparar-se.

«O café fresco (com curto prazo de duração)  sem aditivos nemconservantes é que é saudável e faz bem. O aditivado, esse é que faz mal. Nos tempos do meu pai, "adicionar" alguma coisa ao café era impensável, era estragá-lo! Depois com a indústria Global é queisso passou a ser moda, isso passou a ser moda, na realidade trata-se de cativar o cliente com manipulação a nível do paladar e por outro lado tornálo um produto com longaduração».

Os seus três lemas são: fazer café à antiga portuguesa; produzir com recurso a lenha em torra
lenta; não acrescentar qualquer aditivo! «Sou um artesão do café, não um industrial de café. Tento diferenciar-me como torrefactor artesanal e tomei consciência dessa diferença
quando nos anos 1990, ao instalaram o gás em toda a volta e aqui dentro,
quiseram que eu passasse para o forno a gás, como muitos dos meus colegas. O
gás, por muito estanque que seja o torrador, não deixa de contaminar o café que
é torrado dentro dele, altera o paladar. Foi aí que me decidi pela continuidade
da lenha, o que faz toda a diferença.
Torrar café em forno a lenha é o mesmo que cozer pão, assar castanhas ou sardinhas no carvão ou a lenha, a diferença é total com o forno a gás ou elétrico!».

«É uma vida dedicada a isto, a manter um certo modo de preparar café». E este modo está a ter retorno: turistas visitam o estabelecimento para verem o modo de preparação do café, simples e
sem segredos nem cápsulas hermeticamente fechadas
os grãos a sair do forno,tão simples quanto o sabor do café. «Os meus clientes são pessoas que gostam domeu café o nosso café como alguns dizem».

Como empresário e empregador define se assim: «Os meus empregados apelidam-me de patrão, mas eu só o sou pelaresponsabilidade acrescida que isso me traz. Sou o primeiro a mostrar como sefaz, a trabalhar a par com todos ou a substituir alguém que falte. Somos umaequipa, estou aqui sem distanciamento nem hierarquias».

O Sr. Jorge Monteiro, mais do que qualquer outro torrefactor gaba as qualidades medicinais do café quando puro: «O açúcar é uma droga refinada, cria dependência que causa depósitos no
organismo, enquanto o café é terapêutico
calmante, antidepressivo até 2 pordia, é tónico do músculo cardíaco e regularizador da tensão, vasodilatador,previne doenças degenerativas, como o Alzheimer, o Parkinson, a diabetesMellitus tipo 2, carcinomas no fígado e no pâncreas, isto segundo a investigaçãomédica. Claro que as robustas têm mais cafeína».

É deste modo que o Sr. Jorge Monteiro, com perseverança empresarial e por opção profissional, mantem a torra do café a lenha, quando mais ninguém em Lisboa e arredores o faz, aposta reconhecida por gourmets e apreciada pelo paladar!

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Jaime Silva, torrefactor e zelador da marca A Brasileira


O Sr. Jaime Silva filho, com o seu irmão António e mais 3 irmãos, são donos da marca Brasileira e do Café do Chiado. São pois "triplamente herdeiros": de Adriano Telles, que fundou a marca, a empresa e o emblemático café do Chiado; herdeiros do tio António Rodrigo que primeiro o adquiriu antes de o passar ao pai, de quem o herdaram. Missão que levam a cabo com empenho e sentido de dar continuidade a uma marca que é referencia e a um estabelecimento de elevada qualidade patrimonial. Tarefas que não são fáceis mas que estão à altura desta família, que tem já alguns dos filhos e sobrinhos a acompanhar o negócio. 

O Sr. Jaime Silva faz questão de manter o café sem aromas nem liofilizados, nem químicos, pois é contra. Também não usa cápsulas, fornecendo só café da sua marca à Brasileira do
Chiado e a estabelecimentos do Norte e Centro.

Não revelando a composição dos seus lotes, o Sr. Jaime Silva descreve alguns aspectos da arte de os preparar: «Mais ninguém tem a composição e não a divulgamos, nem as procedências dos nossos cafés. Eu e o meu irmão vamos rectificando, conforme é mais ou menos ácido,
mais ou menos encorpado, mantendo o gosto conforme as fórmulas dos lotes que
guardamos. Com a variação das colheitas, assim rectificamos para que o sabor se
mantenha. O paladar é o mais importante na prova, não tanto o aroma nem a cor
.
Em cada nova compra fazemos uma prova em puro, para avaliar as suas características porque em cada nova partida, f
ornecimento o sabor e qualidades variam. Não somos peritos, nem tirámoscursos, mas pela longa experiência e pela transmissão do nosso pai, sabemosfazer os nossos lotes: somos torrefactores, uma profissão que não precisa nemtem uma confraria, nem escola, embora já existisse uma associação detorrefactores de que o meu pai fez parte. Torrefacção é uma arte como qualqueroutra e o fundamental é não haver adulterações!».

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O gosto dos lisboetas pelo Café


As lojas e as suas clientelas


São casas de bons paladares, de pequenas delicias, gulodices, dos mais velhos: cafés em grão, lotes há muito conhecidos e apreciados, que com a idade a avançar vão dando lugar às misturas
com cevada e outros; os bolos secos
com ou sem açucar os frutos secossazonais e de época, estes antigos complementos alimentares agora reforçadospelas sementes exóticas de moda, pelas frutas desidratadas também muitas elas exóticas,a substituir as antigas frutas cristalizadas em calda de açucar que vinham datradição doceira e confeiteira mas que o "não ao açucar" veio banir. E nestalinha, os rebuçados, guloseima típica dos velhotes, mas com a conotação de curapeitoral, aclarar a voz, inibidor de catarro, sobetensão entre refeições...tantos porquês que um simples rebuçado, doce e barato, bem fazem!  

E assim os cafés acompanham-nos todo o dia da alvorada ao solposto, conforme nomes de duas firmas o comprovam!


Este ramo de actividade


Tratamos aqui os estabelecimentos que preparam e/ou vendem café de lotes próprios por si torrados ou preparados:

> as 2 marcas e torrefacções de Lisboa Flor da Selva e Negrita

> as 3 marcas e torrefacções de café com estabelecimentos de cafetaria, pastelaria próprios, A Brasileira, Nicola Gourmet e Cafés da Portela;

> as 22 casas de café vendendo os seus próprios lotes, no geral micro empresas, familiares ou unipessoais, empregando no geral 1 a 3, 4 pessoas;

> a loja da Nespresso, "montra" da grande multinacional, mas que reconhece e "alimenta" o culto dos lisboetas pelo café!

No total estas empresas, 28, empregarão mais de 2 centenas de colaboradores, os profissionais que satisfazem e mantêm o nosso gosto pelo cafezinho!

Este gosto pelo café tem-se mantido ao longo dos últimos cem anos, senão de antes, graças a uma plêiade de profissionais, marcas e lojas que aqui recordamos alguns nomes de
entre muitas, deixando de fora os cafés cafetarias, locais de estar e de servir a saborosa bebida: Casa Vianna, a
Casa da Boneca, as várias Mariazinha, a Mulatinha, a Moreninha, a Nutritiva, a
Venezuela, a Taça d'Ouro, a
Pérola de Pequim, a Cafeteira de Ouro, o Moinho de Ouro, Zulu, o Ouro Negro, a Casa de Cafés Socorro, as torrefacções Leão, F.M de Miranda Ldª, a F. Alves Moimenta Ldª, a Lusitana, etc. etc. E só os nomes dariam para uma curiosa análise!

Alguns são marcas de cafés-estabelecimentos de servir a bebida, entretanto desaparecidos como p.ex. o Chave d'Ouro.

Outras marcas e firmas existem hoje na área de Lisboa (Silveira, Cafeeira, Sical, Torrié, Tofa, Delta, etc), que distribuem e fornecem café, mas sem estabelecimentos próprios de
venda direta ao publico, pelo que não os incluímos neste levantamento
às lojas e
torrefacções de café de Lisboa e arredores
.

Casa Pereira da Conceição, Rua Augusta, Lisboa
Casa Pereira da Conceição, Rua Augusta, Lisboa


O culto do café


O culto do chá está para o japonês e o britânico, como o do café está para o português e o italiano. Foi a Itália com quem aprendemos a técnica moderna de preparar o café de máquina.
Com efeito no pós
, guerra foi a industria italiana a promover o fabrico de máquinas de café expresso - Cimbali, Faema, etc como é nos dias dehoje, em 2015, a 1ª astronauta italiana a levar para a Estação EspacialInternacional uma máquina de fazer café espacial!

A Brasileira do Chiado auto atribui-se a origem do modo e da expressão "tirar da bica" ou "tirar a
bica", que veio de alguém ter dito ao empregado para tirar o café directamente debaixo do saco, que pingava, enquanto coava a borra, antes de ir para o recipiente, e assim vir mais quente e aromático. Ficou assim descoberta a bica, atribuída à Brasileira do Chiado.

A ferir esse culto está a introdução de copitos e colheres de plástico, o que altera o paladar do
café. Também a substituição da colher por um pau de canela é outra novidade
.

A Mariazinha, Alvalade, Lisboa
A Mariazinha, Alvalade, Lisboa


Os modos de preparação


O mais tradicional é o café de cafeteira ou café de saco, fervido em água ebuliente, coado num saco em tecido de algodão. Depois, com as já referidas máquinas surgiu o café expresso ou bica, muito concentrado, servido em chávena pequena, o mais consumido, dentro e fora
de casa entre nós.

Desde a 1ª década de 2000 que a Néstlé lançou o café em cápsulas ou pastilhas, o Nespresso,
como em meados do séc. XX tinha difundido e com muito sucesso o café em pó solúvel
o Nescafé - logo seguidapela Tofa.

Sempre inovadora aquela multinacional, a maior do sector da alimentação, escolheu Portugal não por acaso, como um dos primeiros países para o lançamento deste café em cápsulas. O Sr. Luis de Freitas da Pérola de Chaimite comenta: «Para fazer face à nova procura de café em cápsulas, vendemo-las vazias, feitas em Espanha, para as pessoas as encherem em casa ou aqui, com os nossos cafés!». A Negrita e a Portela também afinam pela mesma oferta em cápsulas.

A Cafélia, Av. Roma, Lisboa
A Cafélia, Av. Roma, Lisboa

A Néstlé, marca pioneira nesta apresentação, foi logo concurrenciada por outras marcas,
mormente a Delta que também lançou a sua linha de cápsulas e por algumas casas de café em grão mais aguerridas, que vendem, moem e embalam em pastilhas o seu café para ser consumido em casa. Contudo o paladar de algumas destas cápsulas pré-embaladas indicia outras misturas que não só o café. Aliás alguns profissionais do ramo atestam o regresso de alguns clientes, que após terem experimentado este novo tipo de café, retornam ao café em grão.

Sucesso assegurado para as pastilhas embora a não indicação da sua composição e das origens destes cafés, associado a sabores exóticos e nomes de fantasia, os afastem do café puro, deixando augurar misturas de café com outros produtos, facto que é confirmado pela prova bebida e por estudos científicos que identificaram adição de outros componentes tais como ginseng e guaraná em café em cápsulas.

«A verdade do café está no grão»                                                              Sr. Carlos Pina, proprietário da Negrita e da Carioca.

"Só o grão do café garante a sua qualidade, a sua verdade" podendo-se com isso dizer que no café já moído se podem misturar outros como se fez em tempos e ainda hoje é permitido em pequenas percentagens: gão preto, chicória, cevada, centeio, fava.

O Sr. Jorge Monteiro da Flor da Selva afina pela mesma perspectiva: «Nos tempos deste negócio, meados do século XX, misturar, aditivar alguma coisa ao café era impensável, era logo para ir para o lixo, não se fazia e quem o fizesse ficava malvisto! Depois com a industria do café é que isso passou a ser comum».

O Sr. Jaime Silva d' A Brasileira vai igualmente neste sentido - da pureza do café: «Mantenho o
café sem aromas nem liofilizados, nem químicos, sou contra. Também não uso cápsulas».

Temos ainda outros modos de preparação: a cafeteira expresso ou italiana, o café de filtro, com uma variedade de modelos e o café de balão, só para citar os mais comuns para preparar em casa. Em suma os portugueses - de todas as idades, classes sociais, condições e regiões bebem café a qualquer hora, desde que se levantam até quese deitam, mormente ao pequenoalmoço, durante a manhã, depois do almoço, ameio da tarde e várias vezes ao dia.

Segundo a AICC - Associação Industrial e Comercial de Café que reúne os principais torrefactores, em 2010 os portugueses beberam 2,2 chávenas ou bicas/dia/pessoa,sejam 4,1 kg/ano/ pessoa, sendo 70 a 80% fora de casa, mais em expresso do queem pastilhas ou cápsulas, mas esta média deve respeitar só às quantidadesvendidas pelos seus associados, pelo que deve ser uma média por defeito. 

As variedades na preparação e apresentação do café são inúmeras, recentes e de origem italiana, quedando-se o galão - bica com leite servido em copo canelado, 2 dl. usado para este típico café com leite, bem luso e lisboeta. Oacompanhamento da bica, quando o há, é de pastelaria, um bolo, mas a oferta dumpequeno chocolate é usado por algumas casas e marcas desde há alguns anos.


A torrefacção e o lote

É extremamente simples a preparação do café que se reduz a uma cuidada torra de c.20 minutos a 210º a 220º em forno a gás, eléctrico ou a lenha, este mais raro.

A "arte do café" está pois na torrefacção e na conservação sem ganhar humidade até ser consumido e sobretudo na combinação ou lote, blend, a mistura de arábica e robusta, cada uma destas repartido ainda por origens ou regiões. E é nesta repartição entre diversas procedências de várias robustas e de várias arábicas, que comumente pode ir das 3 às 6 variedades por lote de café, conforme o gosto de cada um ou do comerciante de café, que se encontra a
especificidade e a variedade de gostos e aromas. Segundo o Sr.Torres da Casa Macário, «o aroma é conferido pela maior ou menor torra, pelos 25 a 40% de arábica, sendo o restante 60 a 75% de robusta». 

Para o Sr. José Fernandes da Casa do Bom Café em Benfica «Acabado de torrar, aperto os grãos na mão para o sentir estalar pois o factor essencial para um bom café é a torra do café e a qualidade deste e depois é a imaginação para fazer boas combinações, bons lotes. Vou misturando e vou experimentando os sabores para retificar». Mas olfacto e paladar não é usado por todos. O sr. Paulo da Cafélia na preparação dos lotes «Não preciso de provar nem de tocar
o café, enquanto faço o lote, nem de tocar ou cheirar, basta-me ver». O café é pois uma questão de sensibilidade e de gosto, uma arte pois.

Os sabores variam consoante as torrefacções, as origens e as moagens, mais finas ou menos, também têm influência no sabor, no corpo e no creme.

Mas o bom costume de indicar a composição percentual dos lotes por origens países e tipos arábica ou robusta que era comum até há uma década atrás, desapareceu comopor decisão ou imitação entre os profissionais e empresas deste sector. Só a Casa Macário o mantem nos seus dois lotes, honrosa excepção, o que pelo facto, merece destaque. Esta omissão, comum
a todo este ramo, é uma perda de informação para o apreciador e inaceitável enquanto infringe a obrigação geral a todo o produto alimentar de indicar a respectiva composição.


As origens do nosso café


Portugal no secº. XX e até à descolonização promoveu a expansão dos cafés puros, sinal duma época de em-estar social generalizado dos anos 1940-50, em que se deixaram as misturas
de café
com cevada, chicória, centeio, fava, grão, etc
dominantes até aí, por razões económicas para a generalidade das camadas sociais e que eram sinal de baixo nível de vida. Hoje, as misturas de café estão mais associadas à redução do consumo de cafeína substituído pela cevada, chicória etc. em idades mais avançadas que têm de diminuir o seu consumo.


Esta democratização do bom café ou cafés puros, pela subida dos rendimentos de todos e pela generalizada apreciação do café, dada a oferta de variedades e quantidades a preços mais acessíveis, foi apoiada na consolidação das plantações de cafezeiros em Angola - Novo Redondo,Ambriz e Amboim - S.Tomé, Timor e Cabo-Verde, levando a trocas maiores, regulares e continuadas entre Portugal e  as suas colónias. Todo este desenvolvimento, em quantidade e em qualidade, para diversas variedades de arábicas e de robustas, apoiadas na investigação agronómica do cafezeiro, aplicada às plantações das diversas regiõesultramarinas, pelo Instituto do Café, levou a um apuramento na produção e preparação do café, a uma estabilização na oferta e a uma consolidação na apreciação pelo consumidor. Após a descolonização houve
que procurar novos fornecedores
Indonésia, Colômbia, Brasil, Costa Rica, etc.tendo a Unicafé, Cooperativa Abastecedora dos torrefactores portugueses, nos anos 1970 - 80 tido um papel importante no abastecimento dos seus membros. Entretanto surgiram novos países produtores como o Vietname e India, alem dos clássicos Jamaica, Etiópia, Costa do Marfim. Um saber e um gosto portanto a de combinar ou de fazer o lote de café.


Os lotes ou como combinar cafés


Assim como o que diferencia os vinhos são as castas que neles se combinam nas diversas proporções, também nos cafés sucede o mesmo, sendo em Portugal preferidos os cafés lotados ou combinados em detrimento dos puros ou simples, com forte combinação de robustas, que
eram muito abundantes em Angola.

Por outro lado a preparação à italiana ou expresso: a passagem rápida (meio minuto) de pouca água, 5 cl, a alta pressão e alta temperatura por 5 a 7,5 gr. de café, muito concentrado - a percolação do café, servido em chávena pequena, tirado em máquinas próprias, vieram
marcar o paladar luso desde meados do século passado até aos nossos dias.


Progressivamente, aqui como em muitos géneros alimentares, as marcas industriais, já lotadas ou combinadas e pré-embaladas, vieram a afastar os lotes próprios de cada casa, com nomes específicos, com informação sobre as respetivas composições.

Mais subtil: temos ainda os cafés puros isto é sem misturas e não lotados que muitos clientes compram para fazerem as suas combinaçõesem casa ou que mandam fazer no momento da compra, como quem combina lote decafé com determinada refeição, como se faz com os vinhos para carne, peixe ouqueijo! Mas isto são requintes de poucos clientes, apreciadores mais exigentes.


Arábica versus Robusta


O café à portuguesa é um equilíbrio de paladar e aroma entre a arábica e a robusta. A robusta dá mais corpo, é mais escura na cor e mais acre no paladar: é a que tem mais cafeína. O grão da
arábica é mais comprido e largo enquanto o da robusta é mais pequeno e redondo.
A combinação entre estas duas variedades é pois uma questão de sabor e de
saber, a cada um o seu gosto.

Lote ou blend - combinação entre arábicas (que dão mais o sabor e o aroma) e as robustas (que
dão mais o corpo e cafeína) e dentre estas, pelos países de origem.

A arábica é uma planta mais verde, mais fino, claro, aromático e saboroso, com menos cafeina, cultivado em clima húmido e nubloso, em altitude, por ex. Timor. O cafeeiro robusta é cultivado em sequeiro, climas mais secos e quentes, requer menos cuidados agrícolas, pelo que custa cerca da metade da arábica. De cor bege, castanho, mais resinoso, a saber a terra húmida
e a madeira, tem o dobro da cafeina, mais forte, encorpado e escuro. Dado que
era esta a variedade mais cultivada em Angola, foi esta que mais marcou o paladar luso.


Sr. Luis de Freitas da Pérola de Chaimite acrescenta: «Repare como a arábica tem de ser mais cara: 4 mil bagas de café, escolhidos à mão, dão 8 mil grãos de café o que só perfaz ½ kg
de café torrado. Por outro lado as arábicas são 70% da produção mundial e as robustas 30%».

O sr. Jaime Silva da Brasileira da sua longa experiência afirma: «Geralmente os países
produtores de café não têm o melhor café -
isto é não fazem as misturas, pois só bebem do seu café, puro portanto. A Europa é que pode disfrutar dos melhorescafés pois importa de todo o lado e faz os bons blends, lotes. No tempo colonial Portugal teve boas arábicas de Angola, São Tomé, Timor mas foi sempre mais o robusta, que era a maior produção que veio a marcar o paladar luso, mais forte e encorpado e com menos arábica. Os cafés são comprados a importadores e depois aqui torrados e misturados. Eu e o meu irmão provamos a par e passo com o pequeno torrefactor, vamos rectificando o lote, conforme é mais ou menos ácido, mais ou
menos encorpado, mantendo o gosto conforme as fórmulas dos lotes, que
guardamos. Com a variação das colheitas, assim rectificamos para que o sabor se
mantenha, mais ninguém tem a composição e não a divulgamos, nem as procedências
dos nossos cafés! Os lotes são
Chiado, Especial, Fundação e Chávena. O paladar é que é o mais importante na prova, não tanto o aroma nem a cor. Não somos peritos, nem tirámos cursos, mas pela longa experiência e pela transmissão do nosso pai, sabemos fazer os nossos
lotes: somos torrefactores, uma profissão que não precisa nem tem uma confraria, nem escola, mas já existiu uma associação de torrefactores. Torrefacção é uma arte como qualquer outra, há que ter respeito para não haver adulterações. Em cada nova compra fazemos uma prova em puro, para avaliar as suas características porque em cada nova partida
isto é fornecimento o sabor e as qualidades variam». Por principio nãodivulga a composição dos seus lotes.

«Os espanhois preferem o café torrefacto - torrado com açucar que carameliza e lhe dá um paladar mais forte e mais espumoso, que acompanha bem com leite, coisa que nós não fazemos nem apreciamos» acrescenta Jaime Silva, d'A Brasileira no que é acompanhado por outros colegas.


Sr.Delmar Santos a verificar o grau de torrefacção do café, Flor da Selva
Sr.Delmar Santos a verificar o grau de torrefacção do café, Flor da Selva

Do que gostamos nós no café?

> Do quente

> Do corpo, espesso, aveludado ou forte

> Do paladar, amargo ou ácido

> Do creme

> Do aroma

> Do estimulante da cafeína

> Do sabor que fica na boca depois de bebido


Conservação e qualidades benéficas do café

O Sr. Jorge Monteiro da Flor da Selva revela alguns dos saberes da profissão: «O grão em fresco ou cru, verde, pode-se conservar anos como qualquer semente, mas ao torrar liberta a humidade, desidrata-se, liberta o gáscarbónico e passados 2 a 3 dias volta a absorver a humidade ambiente. Pelo quehá que a isolar o mais possível, em vácuo de preferência, que é o mais comum.Algumas torrefacções injectam na torra óleo, um processo italiano, para taparos poros, outros pulverizam muito levemente com água, afim de o café torradonão reabsorver a humidade ambiente e poder conservarse mais tempo. Ora tudoisto estabiliza o aroma, uniformiza o paladar. Alguns até lançam gases inertescontra a oxidação. Por isso as minhas marcas sem aditivos, cozidas a lenha, melhoramo aroma e o paladar são uma diferenciação para os meus cafés. O extracto dealfarroba é um "caramelo" escuro" que algumas marcas aplicam no café em grãopara não vir a ganhar humidade depois de torrado. O café puro - sem aditivos que criam dependência, dos quais o açucar é o principal! é que é saudável e faz bem. O que leva E's, esse é que fazmal. A dextrose pelos cristais que deixa no grão dá um estaladiço que os tornamais gulosos e saborosos, mas já não é café. Os meus 3 lemas são: faço café à portuguesa, faço a torra a lenha em combustão lenta e não uso qualquer aditivo!».


O Sr. Jorge Monteiro, como os seus colegas torrefactores, gaba as qualidades medicinais do café quando puro: «O açucar é uma droga refinada, cria dependência que causa depósitos no organismo, enquanto o café é terapêutico calmante, antidepressivo até 2 por dia, tónico do musculo cardíaco e regularizador da tensão,vasodilatador, previne doenças degenerativas, como o Alzheimer, o Parkinson adiabetes tipo B, carcinomas no fígado e no pâncreas isto segundo estudos. Claroque as robustas têm mais cafeína». Nisto é acompanhado pelo Sr. Carlos Pina da Negrita, com 90 e bons anos e que nos declarou: «Bebo 3 cafés por dia e é o que se vê!» exibindo o seu ar jovial e prazenteiro.

A Carioca, R. Misericórdia, Lisboa
A Carioca, R. Misericórdia, Lisboa

O café como encontro e socialização

Café é um pequeno prazer, socialmente consentido e sem "pecado", nem grandes males: nada a ver com o tabaco, o álcool ou o açucar. É quente, macio, voluptuoso na boca, aromático, ligeiramente estimulante, digestivo.

É o convite mais simples e mais imediato, em todas as situações, pretexto para um encontro,
reunião, pausa, intervalo ou conclusão de muitos e variadíssimos actos sociais - contratos, acordos, reuniões, espetáculos, conversas, namoro, trabalho etc. É um pretexto, justificação, para os mais variados actos de convivialidade: simples, imediato, universal, sem razões de recusa, pois são poucos os maleficios ou contradições conhecidos.

As marcas do café

As marcas-emblemas ou desenhos decorativos, são negrinhas ou cariocas, como para o chá são chineses ou japonesas, alusivos aos principais continentes de origem.

As marcas-nomes mais comuns são flor, moinho, nomes de fantasia que remetem para o café  Cafélia, Carioca ou para lugares imaginados - Tangani. A toda a hora - ou ao despertar -

Belora - Alvoradao café é intemporal, dia e noite, todo o ano, embora tenha momentos, horas de maior procura. São marcas, de lotes e de casas, que nos levam a sonhar, a Babalu heroi infantil , ou a evadir, viajar -Selva, Tropical, Brasileira, Baía - os diminutivos carinhosos e femininos Mariazinha, Negrita.

As marcas com pérola evocam as riquezas escondidas, belas, sensuais e suaves, cada qual em seu bairro ou origem. As cores são quentes, vivas ou pastel: o castanho, o vermelho, o verde
ou o amarelo-torrado, o dourado, o prateado. A marca do velho sorridente e satisfeito da Brasileira, nunca substituído, da esbelta Negrita, sempre nova, da delicada e estilizada
Flor da
Selva
, dos prosaicos moinhos donde sai o precioso pó, o rápido empregado que leva a taça fumegante da Cafés da Portela, alguns destes logos desenhados por bons artistas, são outros emblemas notáveis associados à cálida bebida latina e mediterrânica e isto só para falarmos
das marcas e casas de Lisboa.

Tambem as chávenas produzidas pelas marcas e casas, algumas com várias edições e modelos ao longo dos anos, os pacotes, no geral dourados ou prateados, outros transparentes deixando ver o grão, de cores vivas conforme os lotes e os nomes destes - chávena, ultramarino, bar, etc.  são mais que etiquetas diferenciadoras, são apelos á imaginação subliminal, próprios dum marketing intuitivo dum comerciante experimentado , ou próprio duma multinacional que tanto vende nomes fantasistas com cores atractivas, com máquinas reluzentes e com paladares que vão muito para lá do café! Sim porque se no grão está a verdade do café, no seupó, pode estar o ponto de partida para muitas combinações, criações, adições..


Porque de facto o prazer e as variedades do café não têm limites, é toda uma iconografia
comercial e uma simbólica própria.

Em suma: o café é um culto luso

Um culto hedonista - um prazer pessoal para todos os sentidos, menos o ouvido.

Um convívio, uma socialização, comum a todas as classes sociais e níveis de rendimento, sem proibições morais ou restrições ético-religiosas.

Tem os seus mestres, os profissionais e torrefactores, ciosos guardiões das fórmulas dos seus lotes, secretas e variadas, com grãos que vêm de terras distantes e desconhecidas.

Tem até a Confraria do Café, como os vinhos, doces, queijos, enchidos, têm as suas.

Negócio rentável, garantido e de muita oferta, pelo que o consumidor, procura, se fixa e é fiel ao seu lugar de culto a horas regularese num mesmo estado de espirito o deleite instantaneo de descontraçãomomentânea, a pausa de trabalho, o encontro entre colegas.

E assim o café é o pequeno prazer, quotidiano, o tónico do português suave! E tanto ou mais que o vinho ou a cerveja, o café é a bebida mais comum entre os portugueses de todos
os quadrantes, extractos e regiões.

Como dizia o anuncio da Sical nos anos 1960-70, "cada terra com o seu uso, cada roca com o seu fuso, todos, todos com Sical!"

Isto é: café para todos, todos com café!



Conselhos práticos

Como qualquer outro produto, pode ser sujeito a misturas indevidas pelo que recomenda-se que
o café seja moído à vista do cliente ou comprado em grão,
como se faz com a carne picada, moída no momento e à vista de quem a compra. É que
as adições a tudo o que já vem moído são fáceis e dão milhões a quem as faz!

Mais subtil ainda: levam a uma habituação do paladar e do aroma, que afastam progressivamente o apreciador do café puro. O que para muitos dos entendidos, já acontece com a toma do café com açucar, este sim viciante e prejudicial à saúde.

> O café é aroma, corpo e o sabor que fica na boca. Beba-o devagar, saborei-o!

> Experimente o seu café sem açúcar e note a diferença.

> De vez em quando experimente cafés puros e outros lotes: sinta as diferenças.

> Prefira o café em grão ou moído à sua frente.

> Se quiser café em cápsulas ou pastilhas, moa-o e embale-o v. mesmo.

> Experimenteoutras formas de preparar o seu café de saco, de cafeteira, de balão, turco,etc. tendo em atenção a moagem adequada.

O Café é para se descobrir com todos os sentidos!


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